São Paulo, domingo, 18 de junho de 2006

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Ronaldo vira centenário hoje

Contra a Austrália, atacante atinge o 100 jogo pela seleção principal, marca que a CBF errou

Jogador é o décimo a fazer cem partidas pelo Brasil, mas alcança o feito em baixa, sob desconfiança até de seus companheiros

DOS ENVIADOS A MUNIQUE

Agora é de verdade. Resta apenas saber se também será o Ronaldo real que vai completar hoje, contra a Austrália, a marca de cem partidas realizadas pela seleção principal.
Por um erro de contagem, a CBF informou que o atacante teria completado a marca contra a Croácia. Mas a entidade contabilizou de forma indevida um jogo da seleção olímpica.
Assim, Ronaldo, 29, será o décimo brasileiro a ter cem partidas pela seleção em um momento que nada lembra a quase totalidade da sua trajetória com a camisa amarela.
O sujeito afável e sorridente se transformou numa pessoa irritadiça e que culpa a imprensa por tudo o que lhe acontece -chamou até de "estúpido" um jornalista espanhol que o questionava sobre seu estado físico, depois de ter sofrido com bolhas nos pés, febre e enjôos.
Com o apelido de "presidente" na seleção, Ronaldo deixou de ser figura incontestável dentro do grupo. Depois da sua atuação desastrosa contra a Croácia, jogadores como Kaká e Emerson disseram que ele precisa se movimentar mais, o que causou mal-estar, principalmente com o meia milanista, o primeiro a pedir que o companheiro de time se mexesse mais do que vinha fazendo nos confrontos da seleção.
Seu bate-boca com o presidente Lula, que questionou Carlos Alberto Parreira sobre seu peso, também não agradou à CBF, que passa por processo de aproximação com o governo petista há um bom tempo.
Dentro de campo, o declínio sob a batuta de Parreira é evidente. Antes de o treinador assumir, Ronaldo tinha a média de 0,69 gol marcado por partida da seleção brasileira. Com o treinador, esse número caiu para 0,55, o que significa um expressivo tombo de 20%.
Ele nem mais é o artilheiro do time sob o atual comando técnico -esse feito pertence a Adriano, outro que alfinetou indiretamente Ronaldo. Segundo o jogador da Inter de Milão, seu estilo de jogo se adapta mais ao de Robinho, que, diferentemente de Ronaldo, tem a movimentação como uma das principais características.
E, desde que virou titular absoluto da seleção, há exatos dez anos, Ronaldo nunca entrou em campo tão pressionado como vai fazer no seu jogo centenário, em Munique. Ele já recebeu um ultimato de Parreira.
"Todos têm que estar bem [numa Copa]. Caso não estejam, o treinador tem que tomar as decisões", disse o técnico ao comentar a chance de Ronaldo passar para a reserva.
Nos últimos dias, o jogador do Real Madrid até que se dedicou para obter uma melhora e evitar um novo desempenho decepcionante na Copa. Fez exercícios complementares sem os demais companheiros.
Mas, ainda assim, pouca gente na seleção brasileira acredita que ele possa jogar os 90 minutos contra os australianos.
O prazo para o atacante voltar a jogar bem e continuar como titular se esgota ao final da primeira fase. O Brasil ainda enfrenta o Japão, na quinta.
Mas uma nova atuação ruim hoje aumentará a pressão para que Parreira troque Ronaldo por Robinho, ou, em solução mais radical, promova a entrada de um meia no lugar do jogador do Real Madrid, o que iria decretar a morte do festejado quarteto mágico.
Para Ronaldo, a reserva não seria problema. Ele afirma que nunca foi um "jogador rebelde" e que aceitaria essa situação.
Difícil imaginar hoje no banco alguém que, em mais de 12 anos de seleção e 99 jogos com a camisa amarela, quase sempre foi o centro das atenções. (EDUARDO ARRUDA, PAULO COBOS, RICARDO PERRONE E SÉRGIO RANGEL)


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