São Paulo, domingo, 22 de outubro de 2006

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

Duelo pelo melhor ataque reproduz disputa pela taça

São-paulinos e gremistas, os que mais balançaram as redes, buscam manter série de campeões com vocação artilheira

Nas últimas dez edições do Brasileiro, apenas em 2000, na Copa JH, o time que ficou com o título não liderou a artilharia da competição

DA REPORTAGEM LOCAL

Nos últimos dez anos, fazer o melhor ataque do Brasileiro é praticamente ser o campeão. Exceção feita à Copa João Havelange, em 2000, quando o Vasco levou a taça no final e o Cruzeiro foi quem mais balançou as redes, o troféu tem sempre ficado com o time de maior poderio ofensivo do torneio.
O São Paulo lidera desde a 12 rodada, mas só nas últimas semanas superou o Grêmio em número de gols. Hoje, tem 53 tentos, contra 49 do adversário gaúcho. Essa virada pode ser decisiva no campeonato, pois saldo de gols e gols pró são critérios de desempate, porém a mística do ataque campeão também pode contar.
Até o Grêmio de 1996, reconhecido pelo futebol aplicado e aguerrido do técnico Luiz Felipe Scolari, conseguiu o título pelo ataque (52 gols). Em partidas recentes em casa, tanto a equipe do Olímpico (4 a 0 na Ponte Preta e no Botafogo) quanto o São Paulo (5 a 1 no Vasco e 5 a 0 no Juventude) partiram de vez para a frente.
Os dois tricolores têm procurado basicamente o mesmo caminho para o gol adversário. Os times são os primeiros em gols marcados após jogadas de bola parada. Os gaúchos conseguiram 20 tentos dessa forma, dois a mais que os paulistas, segundo os números do Datafolha.
Mais do que lances diretos, como as faltas de Rogério Ceni e Tcheco, as jogadas combinadas, oriundas de escanteios em especial, têm sido decisivas.
O São Paulo marcou com Fabão, Miranda, Alex Silva e Aloísio nos últimos jogos após cruzamentos precisos -Muricy Ramalho tem treinado exaustivamente esse tipo de lance, e o ala-meia Souza se aperfeiçoou.
No Grêmio, o atacante Rômulo, com 1,87 m, é a referência principal para os cruzamentos. A equipe gaúcha é a quarta que mais gols fez de cabeça (11) na disputa -o time que mais marcou pelo alto foi exatamente o líder São Paulo: 16 vezes.
Como o Brasileiro-2006 é menor que os dos últimos anos -pela primeira vez o campeonato tem 20 times na era dos pontos corridos-, São Paulo e Grêmio não têm muito como alcançar marcas centenárias, como o Cruzeiro de 2003 e o Santos de 2004, melhores ataques da história do Nacional.
Mesmo o Corinthians do ano passado, que triunfou bastante pela dupla de ataque formada por Tevez e Nilmar, marcou 87 gols. O São Paulo precisaria marcar 34 vezes em nove rodadas para igualar o ataque corintiano de 2005 em números absolutos -o time teria que fazer 3,7 gols por jogo, em média.
Enquanto o Grêmio tem feito sucesso com um atacante mais isolado na frente, caso de Rômulo, o São Paulo já chegou a optar em alguns jogos e em alguns momentos por três atacantes. Foi assim contra o Vasco, por exemplo, quando não pôde contar com Mineiro.
""Hoje, todo mundo conhece todo mundo. É preciso buscar alguma coisa diferente para tentar ganhar os jogos", diz Muricy, que foi discípulo de Telê Santana, técnico que fez fama com futebol ofensivo na primeira metade dos anos 90. (RODRIGO BUENO E TONI ASSIS)


Texto Anterior: Painel FC
Próximo Texto: São-paulinos distribuem bem os gols
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.