São Paulo, segunda-feira, 06 de dezembro de 2010

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#NOFOGOCRUZADO

JOVENS USAM TWITTER PARA NARRAR CONFRONTOS NO COMPLEXO DO ALEMÃO, NO RIO

JOÃO PEQUENO
DO RIO

Um grupo de seis adolescentes viu seu número de seguidores no Twitter pular de 2.500 para mais de 30 mil seguidores em poucos dias.
Eles noticiaram tiroteios e prisões em primeira mão durante os confrontos na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, região onde moram na zona norte do Rio.
Seu canal de notícias se chama "A Voz da Comunidade" (@vozdacomunidade), versão virtual do jornal criado há cinco anos por Renê Silva dos Santos, 17.
Renê tinha apenas 12 anos quando fundou o jornal. Morador do morro do Adeus, ele hoje produz a publicação com a ajuda de outros cinco adolescentes da comunidade, todos com idades entre 11 e 17 anos. A tiragem é de 5.000 exemplares.
Depois da tomada do complexo pelas forças do Estado, Renê resolveu preparar uma versão comemorativa da publicação abordando um tema que, por precaução, costumava evitar: violência local.
Cauteloso, Renê prefere não publicar na mesma edição as denúncias de moradores sobre abusos policiais. "Por enquanto, não estamos opinando sobre isso", diz.
O "pé atrás" contrasta com o dinamismo com que os acontecimentos das últimas semanas foram narrados em tempo real no Twitter.
Durante a semana, junto com a multiplicação de seguidores no microblog, veio uma avalanche de entrevistas e gravações para a TV.
Repórter do jornal, Jackson Alves, 13, admite que "depois de momentos de tensão, durante os tiroteios", as coisas melhoraram. "A gente se sente mais seguro."
Para ele, depois de "bombar no Twitter", a "Voz da Comunidade" voltará ao mesmo foco de antes: questões de infraestrutura das favelas, como falta de saneamento básico e de sinalização.
O jornal também aborda os assuntos que cada um dos seus autores mais aprecia.
A caçula Débora Mendes, 11, escreve poesias. Renê, Jackson e Gabriela Santos, 15, fazem reportagens, e Igor Santos, 15, fotografa.


Colaborou MARCELO BORTOLOTI, do Rio


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