São Paulo, quinta-feira, 07 de maio de 2009

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Pavilhão "mutante" da Prada abriga arte em Seul

Estrutura concebida pelo arquiteto Rem Koolhaas assume diferentes formatos

Prada Transformer terá mostra de filmes com curadoria de Alejandro González Iñárritu, além de uma galeria de arte


RAUL JUSTE LORES
ENVIADO ESPECIAL A SEUL

De longe, parece que um disco voador pousou nos jardins do palácio Gyeonghui, construído há 500 anos em Seul.
Mas a estrutura de aço de 21 metros de altura, coberta por uma finíssima lona branca usada pela indústria militar, é um pavilhão da grife italiana Prada, que vai abrigar arte e eventos na capital sul-coreana.
Aberto à visitação na semana passada, o Prada Transformer foi concebido pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas como um espaço mutante.
Cada lado do pavilhão tem uma forma diferente (um hexágono, uma cruz, um círculo e um quadrado de aço -todos encaixados entre si).
Como um cubo, a cada mês, ele rodará com a ajuda de quatro guindastes. Ao mudar sua base, o Transformer assumirá um formato diferente (é possível ver a "mutação" no site pra da-transformer.com). Quando o quadrado tocar o chão, em junho, o Transformer vai virar um cinema, com uma mostra de filmes escolhidos pelo diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (de "Babel").
A base em cruz dará espaço a uma galeria de arte, com obras de nomes como Marc Quinn e Andreas Slominski. A união de astros da arquitetura e da moda para conceber espaços efêmeros já havia acontecido antes, quando a arquiteta iraquiana Zaha Hadid desenhou um pavilhão móvel para a Chanel -a obra passou por Tóquio, Hong Kong e Nova York.
A novidade reforça a ambição de Seul em se tornar uma capital mundial do design. Na semana passada, Zaha Hadid esteve na cidade para lançar a construção de uma praça gigante que abrigará um centro de design que ela desenhou.

Da cintura para baixo
"Tentamos criar algo absolutamente flexível como espaço, com a forma seguindo a função", disse Koolhaas na inauguração. "A moda hoje é o mais próximo do sublime que a cultura contemporânea pode criar." Apesar do discurso "promovemos a cultura contemporânea" da Fundação Prada, trata-se de um vanguardista espaço de marketing da célebre marca italiana.
A primeira exposição do pavilhão se chama "Da Cintura para Baixo" e reúne 60 saias desenhadas por Miuccia Prada nos últimos 21 anos. Muitas delas ficam girando, penduradas por cabos, com espelhos embaixo. A exposição já esteve antes em Tóquio, Xangai, Nova York e Los Angeles. A única novidade desta vez é a mostra de oito saias desenhadas por estudantes de moda de Seul, que mesclam a alta costura com o figurino tradicional do país.
Durante a visita da Folha, boa parte das dezenas de pessoas que estavam no Transformer eram garotas da afluente classe média coreana que não destoariam em um desfile.
A Ásia é o mercado que mais cresce no consumo mundial de luxo. Apenas em Seul, há nove lojas da Prada.


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