São Paulo, segunda-feira, 09 de julho de 2007

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5 FLIP

Menos política, + literatura

Ana Ottoni/Folha Imagem
Nadine Gordimer, Amós Oz, Nuno Ramos, Rodrigo Fresán, Ahdaf Soueif, Verônica Stigger, Jim Dodge e J.M. Coetzee participam da última mesa da Flip, ontem

EDUARDO SIMÕES
MARCOS STRECKER
SYLVIA COLOMBO

ENVIADOS ESPECIAIS A PARATY

A literatura não teve de competir com a guerra e o terrorismo na quinta edição da Flip, encerrada na noite de ontem, na cidade fluminense.
Diferentemente dos anos anteriores, a política internacional teve menos espaço nas discussões da Festa Literária Internacional de Paraty. Predominaram mesas que debateram obras e heranças literárias, além do papel das letras no teatro, na poesia e na música.
A leitura do sul-africano J.M. Coetzee, Nobel de 2003, no sábado, foi um dos pontos altos do evento. Apesar de não permitir perguntas da platéia nem querer falar de sua obra, o escritor prendeu a atenção de um público reverente por quase uma hora. Concentrado e sem cometer erros, leu trechos de seu próximo livro, "Diário de um Ano Ruim", uma mistura de ensaio e ficção, a ser lançado no segundo semestre, que promete ser mais um grande livro em sua bibliografia.
As mesas, de um modo geral, foram mais harmônicas e consistentes. A que reuniu o israelense Amós Oz e a sul-africana Nadine Gordimer mostrou afinação ideológica e literária entre ambos, enquanto a do moçambicano Mia Couto e do baiano Antonio Torres, mediada pelo angolano José Eduardo Agualusa, mostrou preocupações comuns entre os autores de língua portuguesa.
A mediação, que havia sido problemática nos anos anteriores, continuou com deficiências. No entanto, houve destaques positivos, como o jornalista Arthur Dapieve, que conseguiu arrancar boas tiradas do irônico Will Self. E o escritor Joca Reiners Terron, que se mostrou bem preparado para mediar a mesa "De Macondo a McOndo".

Aplaudismo
Doença crônica da Flip, o "aplaudismo" voltou a mostrar seus sintomas nesta quinta edição. O público irrompia facilmente em ovações ao mínimo sinal de antiamericanismos rasos, como as manifestações do histriônico jornalista inglês Robert Fisk, ou de "sentimentalismos de conflito", como os do ex-soldado menino Ishmael Beah, de Serra Leoa. As frases de efeito do debate entre Oz e Gordimer e as críticas a políticos ou juízes corruptos, na discussão sobre censuras a biografias, também mereceram aplausos efusivos.

Mais público
O público aumentou em relação ao ano passado. Na Tenda dos Autores, onde se assiste às palestras ao vivo, o número de espectadores foi de 11.895 para 15.583. Na Tenda da Matriz, onde os debates são transmitidos por telão, de 10.002 para 15.874. Apesar disso, um dos diretores da Flip, Mauro Munhoz, anunciou que o evento acabou devendo entre R$ 60 mil e R$ 70 mil.
A noite de encerramento, ontem, teve a tradicional leitura dos "livros de estimação" dos convidados. Gordimer elegeu trechos de um livro do nigeriano Chinua Achebe, enquanto Rodrigo Fresán leu "Matadouro 5", de Kurt Vonnegut.
Também estavam na mesa Nuno Ramos, Ahdaf Soueif, Verônica Stigger, Jim Dodge, Amós Oz e J.M.Coetzee.
A organização da festa também anunciou que Cassiano Elek Machado deve permanecer no cargo de diretor de programação do evento em 2008.


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