São Paulo, sexta-feira, 19 de janeiro de 2001

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Tiradentes abre Mostra de Cinema

DA REPORTAGEM LOCAL

A 4 Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) começa hoje com uma cartela de 122 filmes -30 longas, 41 curtas e 51 vídeos- a serem exibidos gratuitamente até o próximo dia 27.
Desses, apenas oito longas ainda não estrearam no circuito comercial e dois têm no festival sua primeira projeção pública: "Aleijadinho", de Geraldo dos Santos Pereira, e "Condenado à Liberdade", de Emiliano Ribeiro.
Mas todos são rigorosamente inéditos para a população da cidade mineira, que não possui nenhuma sala de cinema em funcionamento. Para viabilizar sua execução, a mostra instala uma tela ao ar livre na principal praça da cidade e monta outra sob a proteção de uma lona de circo.
Salas e galerias do Centro Cultural Yves Alves são requisitadas para abrigar os programas de curtas-metragens, as 11 oficinas oferecidas, as exibições para o público infantil -batizadas de Mostrinha- e a exposição "As Janelas do Cinema", de fotos e sinopses dos filmes programados.
A despreocupação com estréias e ineditismos é um formato coerente com o principal objetivo do festival: passar em retrospectiva a produção recente e, assim, incentivar a formação de público para o cinema nacional. Razão que justifica também seu caráter não competitivo.
"Outros pontos importantes para nós são a instituição de uma agenda anual de cinema em Minas Gerais e o incentivo à expansão da produção", diz a diretora da mostra Raquel Hallak.
Para estender para toda a cidade -de 5.700 habitantes- as atividades da mostra, a organização inicia esta edição com uma intervenção urbana. As janelas das casas localizadas na rua Direita, em estilo colonial, transformam-se, a partir de hoje, em vitrine para uma exposição que reúne trabalhos de 98 artistas plásticos e artesãos. A iniciativa recebeu o nome de "Uns 300 Anos de Janela", em referência ao terceiro centenário da cidade, que será completado no ano que vem.
O eixo curatorial desta quarta edição aglomera os títulos selecionados em três módulos. Um apanhado de filmes dirigidos por mulheres -"Bicho de 7 Cabeças", de Laís Bodansky, e "Tônica Dominante", de Lina Chamie, são exemplos- configura a seção "Mulheres em Cena". A chancela "Novos Rumos" abriga uma parcela da recente produção brasileira, como "Estorvo", de Ruy Guerra, "O Auto da Compadecida", de Guel Arraes, e "O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas", de Paulo Caldas e Marcelo Luna. O módulo curtas-metragens envolve 13 categorias temáticas, de "Safra Brasil" a "Manifesto Queima Filme".
A cineasta Ana Carolina e a atriz Odete Lara são homenageadas pelo evento. A primeira tem seu mais recente filme, "Amélia", e outros três curtas que dirigiu -"Indústria", "Monteiro Lobato" e "Pantanal"- escalados para a abertura da mostra. A segunda é convidada especial no dia 25 para a projeção de "Copacabana me Engana", filme de Antônio Carlos da Fontoura, de 1969, que protagoniza. (SA)


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