São Paulo, quarta-feira, 04 de outubro de 2006

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Pesquisador relaciona a tecnologia com os impactos que exerce no imaginário

DA REPORTAGEM LOCAL

Os temas do 1 Simpósio Nacional de Pesquisadores em Comunicação e Cibercultura, realizado pela PUC-SP (www.pucsp.br/pos/cos/cencib/simposio_nacional) entre 25 e 29 de setembro, pairaram no limiar entre o cientificismo e a imaginação, entre o humano e o cibernético. O tema tecnologias do imaginário e narrativas do vivido foi abordado em palestra do pesquisador da PUC do Rio Grande do Sul Juremir Machado da Silva. À Folha ele falou sobre seu objeto de pesquisa, o imaginário, e sobre as suas relações com a tecnologia. (MB)

 

FOLHA - Não há um paradoxo entre tecnologia e imaginário?
JUREMIR MACHADO DA SILVA
- Sim, e isso é maravilhoso. É a união da tecnologia com os afetos, que são a coisa mais arcaica da existência. Ao contrário do que se imaginava, essas tecnologias são desviadas para isso, para os relacionamentos.

FOLHA - Essa tendência não faz com que tenhamos menos contatos reais com as pessoas?
SILVA
- O concreto está assumindo novas formas. Achamos que o ideal é ir aos bares, mas existem outras possibilidades. Às vezes pode ser melhor ir para casa e viver, pelo computador, coisas muito mais intensas, explorando o lúdico, o mistério, as múltiplas personalidades que podemos assumir, vivendo várias vidas em uma só.

FOLHA - Trata-se de um meio de explorar o imaginário?
SILVA
- Sim, o imaginário é a soma das pulsões subjetivas somadas às intimações objetivas. É o encontro do que vem de dentro de nós com o que vem de fora, com o que é imposto pela sociedade. E isso também engloba a tecnologia, também é inseminado por ela.

FOLHA - Como fica a fronteira entre a realidade e a imaginação?
SILVA
- Todo imaginário é real e todo real é imaginário. Há sempre um tanto de representação no que chamamos de real e todo imaginário é vivido e sentido, portanto, é uma realidade. O vivido é também aquilo que escapa, que faz parte da trama do cotidiano, mas que não cabe nas grades predefinidas.

FOLHA - Isso faz com que fiquemos expostos a um volume ainda maior de informação?
SILVA
- Certamente. Existem mais coisas do que nossa capacidade de admirar é capaz de abranger, de modo que é preciso fazer escolhas. O navegador da internet é justamente aquele que sai errante -o que pode ser angustiante porque não há quem nos oriente.


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