São Paulo, terça-feira, 07 de dezembro de 2010

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Cortes vão afetar o PAC, diz Mantega

Segundo ele, todos os ministérios serão atingidos pela contenção

Apenas programas sociais, por exemplo o Bolsa Família, serão poupados; total do corte ainda é desconhecido

CIRILO JUNIOR
DO RIO

O futuro governo prepara um pacote de corte de gastos que atingirá todos os ministérios e deve respingar até mesmo no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um dos principais motes da campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff.
O ministro Guido Mantega (Fazenda), que permanecerá na pasta, admitiu que novos projetos do PAC poderão ser adiados em razão das medidas que serão adotadas.
"É mais uma questão de ritmo. O PAC tem projetos que estão terminando neste ano ou nos próximos anos. Esses não serão mexidos. E tem projetos novos que poderão começar mais lentamente, não imediatamente. Dar prioridade para terminar os que já estão em andamento, que levam um ano ou dois para terminar", afirmou.
A despesa que será cortada ainda está sendo calculada, disse o ministro. Ao todo, a despesa administrativa anual do governo é de R$ 520 bilhões, excluindo a Previdência Social.
Na campanha presidencial, Dilma disse que o PAC 2 seria uma das prioridades de seu governo e que todos os investimentos previstos seriam realizados. Mas, segundo o ministro Mantega, apenas projetos sociais prioritários, como o Bolsa Família, não terão cortes.
"Pretendemos fazer ajuste reduzindo o custeio já existente e impedindo que haja novos gastos. Em projetos prioritários, como o Bolsa Família, não haverá redução. Mas em todo o resto, em todos os ministérios, não haverá exceção", explicou.
Os novos gastos a que Mantega se referiu são referentes a projetos em tramitação no Congresso e podem constituir um aumento forte de despesas.
O ministro combateu a proposta da PEC 300, que nivela os salários de policiais e bombeiros de todo o país, acarretando despesas extras de R$ 46 bilhões para a União e Estados, de acordo com cálculos de Mantega.
Para o ministro, o corte no custeio abre "um espaço razoável" para a queda dos juros. Segundo Mantega, o Brasil ainda está defasado diante do cenário internacional. "Isso causa problemas, inclusive com o câmbio", disse o ministro.
Mantega afirmou ainda que estão sendo preparadas medidas de estímulo ao financiamento privado. O objetivo principal é desafogar o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O pacote será anunciado dentro de duas semanas.


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