São Paulo, segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

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FINANÇAS PESSOAIS

MARCIA DESSEN - marcia.dessen@bmibrasil.com.br

Aumente sua rentabilidade com a redução de custos

Na coluna da semana passada, vimos que é possível aumentar a rentabilidade dos investimentos reduzindo a carga fiscal dos impostos que incidem sobre eles.
Hoje, conversamos sobre outro custo: taxas de administração financeira, de carregamento, entre outras, que pagamos para instituições financeiras e seguradoras.
A boa notícia é que essa é uma variável que podemos gerenciar e negociar.
A aplicação em poupança é a única modalidade de investimento isenta de custos. A rentabilidade é igual em todas as instituições que captam esses depósitos.
No caso do depósito a prazo, o CDB -Certificado de Depósito Bancário-, o custo vem disfarçado na cotação da operação.
Exemplifico com números: um CDB DI (taxa pós-fixada) cotado a 90% da taxa DI, quando a rentabilidade cheia seria de 100% da taxa DI; um CDB de taxa prefixada cotado a 10% ao ano, quando a taxa cheia poderia ser de até 12%, taxa que o governo paga nos títulos públicos.

FUNDO DE INVESTIMENTO
Nos fundos de investimento, o custo é representado pela taxa de administração paga ao administrador pela prestação do serviço. Em relação a essa taxa você precisa saber que:
1) Ela incide sobre o capital aplicado, ajustado ao longo do tempo.
2) Não depende da rentabilidade obtida -ela é paga pela prestação de serviço em si e não está vinculada ao êxito, ou não, de uma boa gestão.
3) Ela é deduzida do valor da cota dos fundos. Ou seja, a rentabilidade divulgada é líquida dessa despesa.
4) Consulte a taxa de administração antes de investir. Quanto maior o valor investido, menor ela será.
5) Há fundos que cobram taxa de performance -esta sim condicionada ao êxito da gestão. Só será paga quando o gestor conseguir superar a meta definida.
6) Os fundos de investimento não cobram taxa de carregamento como no caso dos produtos de previdência privada.
7) A rentabilidade dos fundos de investimento é bruta, ou seja, o custo dos impostos não está refletido.
Nos planos de previdência complementar os custos são representados por:
1) Taxa de carregamento: incide uma única vez, sobre o valor de cada aplicação. Você aplica R$ 1.000 em um PGBL ou VGBL que cobra taxa de carregamento de 3%.
Nesse caso, R$ 970 serão convertidos em cotas e R$ 30 ficam para a seguradora gestora do produto.
2) A rentabilidade divulgada pelos produtos de previdência não reflete o custo da taxa de carregamento, o que compromete a comparação com outras alternativas de investimento.
3) Taxa de administração: procedimento idêntico ao dos fundos de investimento. A rentabilidade publicada pelas seguradoras já reflete o pagamento desse custo.
4) Taxa de saída: é cobrada sobre o valor do resgate e existe para tentar inibir a solicitação de retiradas. O percentual tradicional é 0,38%.
5) Assim como no caso dos fundos de investimento, a rentabilidade divulgada é bruta. Quanto dela vem para o seu bolso depende do regime de tributação escolhido, do prazo da operação e da sua faixa de renda.
Lembre-se de que existem produtos diferentes para objetivos diferentes. Os custos são cobrados de acordo com as características do produto.
Não pague por benefícios que você não quer ou não pode obter. Amplie sua rentabilidade pagando os menores encargos possíveis -de taxas e de impostos.

MARCIA DESSEN, Certified Financial Planner, é sócia e diretora-executiva do BMI Brazilian Management Institute, professora convidada da Fundação Dom Cabral e cofundadora do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.

FOLHA.com
Acompanhe bate-papo com a colunista Marcia Dessen na quinta, às 17h
www.folha.com


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