São Paulo, sábado, 09 de julho de 2005

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CÚPULA

Valor é o dobro do destinado ao continente em 2004, mas ONGs dizem que ainda é pouco; palestinos receberão US$ 3 bi

G8 promete US$ 50 bi à África para combate à pobreza

DA REDAÇÃO

Determinados a não permitir que sua agenda de discussões fosse pautada pelos ataques terroristas de Londres, os líderes do G-8 -grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia- anunciaram ontem, no último dia de seu encontro anual, que irão dobrar a ajuda em dinheiro para o combate à pobreza na África até 2010 -de US$ 25 bilhões anuais para US$ 50 bilhões.
"Falamos hoje sob a sombra do terrorismo, mas isso não irá obnubilar o que viemos decidir aqui", disse o premiê britânico, Tony Blair, anfitrião do encontro deste ano, que ocorre em Gleneagles, na Escócia (Reino Unido).
O aumento da ajuda à África foi recebido com alegria por alguns -como Bono Vox, vocalista do grupo de rock U2- e decepção por outros, que consideraram o valor da ajuda muito pequeno.
"Não é o fim da pobreza na África, mas é a esperança de que ela possa ser eliminada. Não é o que todos queríamos, mas é um progresso real", disse Blair.
Bono Vox, que foi um dos organizadores do Live 8 -série de concertos realizados no último sábado para pressionar o G8 a aumentar seus esforços no combate à pobreza-, declarou vitória, afirmando que a pressão sobre os líderes mundiais deu certo. Segundo ele, centenas de milhares de vidas serão salvas pela decisão de ontem. "O mundo falou, e os políticos ouviram", afirmou.
O aumento do valor da ajuda à África só foi possível devido a uma promessa feita no último minuto, pelo Japão, de aumentar sua ajuda aos países pobres até um total de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos. Na década de 1990, o Japão foi o maior doador de ajuda em dinheiro ao exterior, mas suas contribuições vinham diminuindo nos últimos anos.
Líderes africanos, alguns deles presentes ao fechamento do encontro, receberam com otimismo o anúncio. Mas alguns enfatizaram a necessidade de as promessas serem efetivamente cumpridas. David Mwiraria, ministro das Finanças do Quênia, disse que "intenções e realizações são coisas diferentes".
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também presente ao encontro, elogiou a decisão do G8, mas disse que ela é "só um começo". Já o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, afirmou que o sucesso do plano depende também do compromisso dos líderes africanos de gastar "sabiamente" o dinheiro.
Mas nem todos receberam bem o aumento da ajuda. "O que a África precisava obter do G8 é um grande salto para a frente, mas tudo o que consegue são pequenos passos", disse Caroline Sande Mukulira, diretora da ONG internacional ActionAid em Uganda.
Segundo a ONG britânica Oxfam, da ajuda prometida, apenas US$ 20 bilhões são dinheiro novo, e, além disso, virá muito tarde. "O aumento da ajuda poderá salvar a vida de 5 milhões de crianças até 2010, mas outras 50 milhões morrerão porque o G8 não foi tão longe quanto deveria ter ido", disse Jo Leadbeater, diretor da ONG.

Palestinos
O G8 também decidiu bancar um plano de ajuda de US$ 3 bilhões à Autoridade Nacional Palestina ao longo dos próximos três anos, proposto por James Wolfensohn, enviado especial do Quarteto -EUA, Rússia, ONU e União Européia- ao encontro.
Segundo o plano, o dinheiro será utilizado para a recuperação da infra-estrutura e da economia na faixa de Gaza após a retirada de Israel, prevista para meados de agosto. Segundo Faryar Shirzad, o principal negociador dos EUA no encontro, o plano ajudará a estabilizar o território palestino.


Com agências internacionais


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