São Paulo, quinta-feira, 12 de julho de 2007

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Fidel ataca desigualdade em Cuba

Em artigo, ditador cubano reclama dos privilégios de quem tem dólar na ilha e prega a austeridade

Crise permitiu surgimento de classe privilegiada por dólares, como empregados do setor turístico e cubanos com parentes nos EUA

DA REDAÇÃO

O ditador cubano, Fidel Castro, atacou as "desigualdades e privilégios irritantes" que surgiram no país pela introdução do dólar e do peso conversível [em dólar] e criticou quem gasta muito combustível. "Esse dinheiro às vezes cria desigualdades irritantes em um país que se esmera pelos serviços gratuitos que oferece a toda população", escreveu.
O artigo "Autocrítica de Cuba" é o 26 que escreve desde 29 de março. Fidel, 80, está afastado do poder há quase um ano para tratamento de saúde. "É indubitável que em Cuba quem recebe pesos conversíveis ou os que recebem divisas do exterior usam [também] serviços sociais essenciais e gratuitos, alimentos, remédios e outros bens a preços ínfimos e subsidiados", acrescentou.
O líder cubano aprovou a circulação do dólar na ilha em 1993, no momento mais severo da crise econômica provocada pelo fim da União Soviética, chamado de "período especial".
Fidel afirmou que o "período especial" foi aliviado, mas que muitos problemas persistem. Por isso, elogiou medidas anunciadas pela União da Juventude Comunista, que, a fim de economizar gasolina, reduziu o número de brigadas de estudantes enviadas para atividades de trabalho manual.
O ditador deu um violento puxão de orelhas em um funcionário do regime, sem citar o nome, por ignorar a austeridade: "Fiquei de cabelo em pé quando alguns dias atrás um distinto burocrata informou, na televisão, que, agora que o período especial acabou, enviaremos mais e mais delegações para atividades externas. De onde saiu esse bárbaro?".

Contra reformas
Além de Fidel, altos dirigentes do Partido Comunista de Cuba têm feito duros ataques às reformas liberalizantes instituídas no auge da crise -o que contrasta com as análises de que Raul Castro, que assumiu "provisoriamente" as funções executivas de Fidel, estaria disposto a promover no país reformas ao estilo chinês.
A livre circulação do dólar por uma década, o recebimento de remessas de dólares de cubanos nos Estados Unidos por parentes em Cuba, o trabalho autônomo e o crescimento do turismo internacional criaram uma nova classe em Cuba: os com-dólar.
Empregados de hotéis começaram a ganhar em gorjetas mais do que médicos de prestígio no governo. A partir de novembro de 2004, o dólar voltou a ser proibido em transações na ilha, sendo imposta a troca por "pesos conversíveis", com câmbio determinado pelo governo.
Em discurso, o chefe do Departamento de Cultura do PC, Eliades Acosta, afirmou que na crise econômica dos 1990 cresceu "uma anti-Cuba indesejável, parasitária, medíocre, submissa ao exterior, consumista e despolitizada". O ministro da Economia, José Luis Rodríguez, descartou em abril qualquer mudança econômica. "Quem especulava que haveria uma mudança dramática ou que procuraríamos outro modelo que não é o nosso já viu que não é assim."


NA INTERNET - Leia a íntegra do artigo de Fidel Castro em http://www.folha.com.br/071922


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