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São Paulo, quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

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FRANÇA

Presidente exorta deputados a aprovar texto para proibir o uso de sinais ostensivos de afiliação religiosa na rede pública

Chirac defende lei contra véu na escola

DA REDAÇÃO

O presidente da França, Jacques Chirac, defendeu ontem, em Paris, a aprovação de uma lei para proibir o uso de véus islâmicos e de outros símbolos religiosos em escolas públicas, apesar dos protestos de muçulmanos da França e de outras partes do planeta.
Num discurso feito em rede nacional -após meses de debate sobre o papel da religião na sociedade francesa, que explicitou a dificuldade de integração dos muçulmanos-, Chirac exortou a Assembléia Nacional da França a aprovar uma lei sobre o tema antes do início do próximo ano escolar (setembro de 2004).
A proibição se estende a outros símbolos religiosos, como o crucifixo -se for grande- e o quipá (solidéu judiaco), mas líderes muçulmanos franceses disseram que a lei tem como objetivo banir sobretudo o uso do véu islâmico e que ela dificultará ainda mais a integração dos estimados 5 milhões de muçulmanos da França em sua sociedade. A população francesa é de cerca de 60 milhões de pessoas.
"Penso que o uso de vestimentas ou de outros símbolos que, abertamente, demonstram uma afiliação religiosa deveria ser proibido nas escolas", declarou Chirac. "Para tanto, é preciso fazer uma lei. Quero que ela seja adotada pela Assembléia Nacional e entre em vigor antes da volta às aulas no ano que vem."
Segundo seu discurso, a lei deverá permitir que os alunos portem pequenos símbolos religiosos nas escolas públicas, como pingentes islâmicos, crucifixos ou estrelas-de-davi.
Mas, indo além das sugestões feitas por uma comissão governamental, Chirac afirmou que não deveria ser permitido que pessoas recusassem tratamento médico ministrado por pessoas do sexo oposto. Ele também disse que as empresas deveriam ter o direito de estabelecer regras de conduta sobre o uso de símbolos religiosos no local de trabalho.

Pesquisa
Pesquisas de opinião mostram forte apoio à proibição do uso de símbolos religiosos nas escolas, embora líderes muçulmanos, judaicos e cristãos tenham se mostrado contrários a ela.
Além disso, de acordo com uma pesquisa feita pelo instituto Ifop para a revista "Elle", 53% das muçulmanas da França se dizem contrárias ao "uso visível de um sinal de afiliação religiosa nas escolas públicas".


Com agências internacionais


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