São Paulo, sexta-feira, 22 de setembro de 2006

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Livro citado por Chávez explode em vendas

Venezuelano, que citou Chomsky em discurso contra Bush, promete mais combustível barato a americanos

DA REDAÇÃO

As vendas do livro "O Império Americano: Hegemonia ou Sobrevivência", de Noam Chomsky, explodiram após a obra ser exibida anteontem pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em discurso na 61 Assembléia Geral da ONU.
Para Chávez, quem quer entender "o que tem ocorrido no mundo no século 20" precisa ler o livro, publicado em 2003 e lançado no Brasil em 2004.
Assim como o venezuelano, Chomsky, um dos principais ativistas de esquerda americanos e professor de lingüística do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), é crítico do governo George W. Bush.
Em um dia, o livro chegou aos dez mais vendidos nos sites da Amazon, onde tinha a posição 20.664, e da livraria Barnes & Noble, saindo do 748 lugar. Chomsky publicou dezenas de obras -a última é "Failed States" (Estados fracassados).
O discurso em que Chávez citou Chomsky foi o mesmo no qual chamou Bush de diabo e afirmou que a tribuna da ONU ainda cheirava a enxofre, após a passagem do presidente americano por ela no dia anterior.
O lingüista disse ontem ao britânico "Independent" que não havia tido a chance de ler o discurso de Chávez e pareceu surpreso com o aumento das vendas de seu livro. "A busca dos EUA por dominação, que não é camuflada, vem de há muito tempo, não tem nada de novo e é comum na literatura."
Ontem, em Nova York, Chávez voltou a atacar Bush, o chamando de "alcoólatra" -o americano já admitiu que teve problemas com o álcool. Em igreja do Harlem, prometeu elevar o volume de combustível para calefação que seu país vende mais barato a americanos carentes. Segundo Chávez, a filial da estatal petrolífera venezuelana nos EUA, a Citgo, fará a distribuição chegar a 18 Estados.
O ministro da Informação, William Lara, acusou a polícia de Nova York de cortar a luz para evitar a transmissão do evento por satélite, agredir membro da comitiva venezuelana e tentar impedir que Chávez desse entrevista fora da igreja, em represália ao discurso da véspera.
As ofensas a Bush não repercutiram bem com democrata que apóia a venda de combustível de calefação. "Qualquer ataque humilhante contra ele é visto por republicanos e democratas, e pelos americanos, como um ataque contra nós", disse o deputado Charles Rangel.


Com agências internacionais

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