São Paulo, sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

PAINEL DO LEITOR

O "Painel do Leitor" recebe colaborações por e-mail (leitor@uol.com.br), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4 andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

Leia mais cartas na Folha Online
www.folha.com.br/paineldoleitor

500 anos de estradas
"Tirando tudo o que anda acontecendo em nosso mundo político-social, temos agora esse episódio histórico de os espanhóis faturarem a concorrência para os pedágios de nossas estradas.
Isso atesta a mais total, definitiva e absoluta incompetência em gerir as finanças públicas, apesar da sangria popular no pagamento de taxas e impostos estratosféricos. É um atestado firmado embaixo pela administração pública deste país -com firma reconhecida.
E demonstra que ainda não saímos do estágio de colônia, mesmo depois de 500 anos de estradas esburacadas."
NEREU AUGUSTO TADEU DE GANTER PEPLOW (Curitiba, PR)

"Se uma empresa espanhola decide em leilão cobrar em seus pedágios menos de R$ 8 para uma viagem de São Paulo a Belo Horizonte -de cerca de 600 quilômetros-, que me expliquem como pode a ViaOeste cobrar R$ 5,60 para um trecho de apenas oito quilômetros na marginal da Castelo Branco?
Não precisamos ir longe. É só comparar com o preço de qualquer outra estrada privatizada anteriormente que temos aí um escândalo de grandes proporções, que mereceria, no mínimo, farta investigação jornalística e policial."
RENATO LEVI, professor de jornalismo da ECA-USP e da PUC-SP (São Paulo, SP)

"O editorial "A farsa antiprivatista" (Opinião, pág. A2, 10/10) é um despropósito total.
Em vez de elogiar uma licitação do governo federal, governado pelo PT, que permitiu pedágios de R$ 0,99 em uma estrada como a Fernão Dias, e de traçar um paralelo com os pedágios extorsivos praticados no Estado de São Paulo pelos 14 anos de PSDB, o jornal prefere remoer mágoas antigas da campanha presidencial, em que o seu candidato (não oficial) foi fragorosamente derrotado.
Talvez tenha imaginado que o seu leitor não conheça a diferença entre concessão e privatização, que desconheça o que significa privatização danosa aos interesses do país, muito praticada pelo governo passado, e, sobretudo, que não tenha discernimento para reconhecer uma boa iniciativa, seja de que governo for, inclusive do PT.
É hora de o jornal refletir e parar de apostar na falta de senso crítico de seu leitor, sob pena de ficar falando a uma minoria de radicais."
JORGE BREDER (Campinas, SP)

"O leilão das rodovias federais é, a longo prazo, um dos maiores erros que se está cometendo perante a questão ambiental.
Significa perpetuar o modelo do automóvel e do caminhão, pois concentra perigoso poder econômico nas mãos dessas concessionárias, que terão motivos e todo o interesse do mundo para inviabilizar qualquer outra alternativa de transporte coletivo menos poluente. É um dinheiro fácil, que pode financiar campanhas políticas, dominar a mídia e fomentar outras práticas deletérias.
E o pior: é um esquema que vem para se perpetuar, como a CPMF, ou para vigorar pelo menos até o dia em que a natureza perder definitivamente a paciência."
JOSÉ ISAAC PILATI (Florianópolis, SC)

Defesa
"Em relação à reportagem "Defesa quer royalties por proteção privada" (Brasil, 9/10), o secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, general-de-exército José Benedito de Barros Moreira, esclarece que as sugestões reproduzidas refletem opiniões pessoais que ainda serão levadas a discussão, inclusive com o ministro da Defesa."
JOSÉ RAMOS, assessor especial de comunicação social do Ministério da Defesa (Brasília, DF)

Resposta do jornalista Iuri Dantas - A assessoria de imprensa do Ministério da Defesa acompanhou a entrevista com o general Barros Moreira. Indagada no dia seguinte se as declarações do general reproduziam a visão do ministério para o plano em estudo, a assessoria não só confirmou que a entrevista coincidia inteiramente com a visão a pasta como também demonstrava a visão do ministro Nelson Jobim.

Huck e Ferréz
"Fica desfocada a discussão "Huck x Ferréz" quando os debatedores fincam sua posição entre "bem e mal", "agressor e vítima", como se tais conceitos fossem absolutos diante da realidade social do nosso país.
É certo que os cidadãos bem nascidos têm o direito de viver com mais tranqüilidade. Também é certo que os estratos mais pobres da população merecem mais oportunidades de exercer sua cidadania, as quais lhes foram sistematicamente negadas em 500 anos de história.
Entremeando essas duas realidades, parece claro que a violência não poderá ser resolvida enquanto continuar a ser tratada apenas como questão de segurança pública.
O encarceramento no Brasil é recorde, as leis penais nunca foram tão duras, os poderes institucionais são atuantes, mas nada disso importará na diminuição da sensação de insegurança em que vivemos.
A violência, tanto de cima para baixo quanto de baixo para cima, é preponderantemente de cunho social. Fechar os olhos para isso é impedir que nossa sociedade reduza as desigualdades."
LEANDRO SARCEDO, advogado, mestrando em direito penal na USP (São Paulo, SP)

"Apologia ao crime? Luta de classes instituída a partir dos textos de Huck e Ferréz? Esperar os patrões ficarem "bonzinhos" a fim de diminuirmos a segunda pior distribuição de renda do mundo?
Primeiramente, relembro o título do artigo de Ferréz: "Pensamentos de um correria". O autor só expôs o que se passa na cabeça do ladrão de ocasião, tratando das condições do processo de formação do indivíduo.
Ferréz cresceu nessa realidade, é vizinho de alguns "correrias". Logo, retrata, com a maestria de Nelson Rodrigues, "a vida como ela é".
E dizer que "acaba de estourar" a luta de classes no Brasil é desconhecer as ruas dos grandes centros urbanos, os shoppings, os camelódromos, os condomínios, as favelas, as periferias e o nosso processo eleitoral -ou então desconhecer o conceito de "luta de classes".
Por fim, lamentável é achar o debate um desserviço do jornal. E, se Ferréz se tornar colunista fixo, não se esqueçam de me mandar a proposta de assinatura. Não é comum tamanha coerência nos "jornalões"."
HENRI NICHOLAS DO CARMO COUTINHO (Volta Redonda, RJ)

Leia mais cartas na Folha Online
www.folha.com.br/paineldoleitor

Serviço de Atendimento ao Assinante: 0800-775-8080
Grande São Paulo: 0/xx/11 3224-3090
www.cliquefolha.com.br

Ombudsman: 0800-15-9000
ombudsman@uol.com.br
www.folha.com.br/ombudsman


Texto Anterior: Lais Fontenelle Pereira: Que infância estamos construindo?

Próximo Texto: Erramos
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.