São Paulo, segunda-feira, 26 de setembro de 2005

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CHÁVEZ E A POBREZA

Aos que louvam a opção de política social do governo de Hugo Chávez, informe recente da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) deveria servir como um alerta. O documento deixa claro que as políticas por ele empreendidas não contribuíram para a redução da pobreza e da desigualdade.
Elaborado com base em dados de 2004 -o quinto ano de governo Chávez, portanto-, o estudo constata que a administração chavista foi responsável por um retrocesso bastante expressivo: numa lista de 17 países da região, a Venezuela ficou com o penúltimo lugar, à frente apenas da Argentina, no que diz respeito ao combate à pobreza extrema. De 2000 a 2004, o relatório aponta um retrocesso de 64% no índice de redução da miséria. O próprio Instituto Nacional de Estatísticas (INE), entidade oficial do governo venezuelano, reconhece que a pobreza cresceu. Passou de 42,8% no primeiro semestre de 1999 para 53% no fim de 2004.
Trata-se de um desempenho pífio quando se tem em conta que o país atravessa uma das melhores conjunturas econômicas de sua história. Quinto maior exportador de petróleo do mundo, a Venezuela cresceu espantosos 17,9% no ano passado.
Em face de questões dessa natureza, não há como não pôr em xeque a famigerada "Revolução Bolivariana". A urgência por distribuição de renda foi sempre a bandeira mais visível do governo -e foi em nome dela que o presidente venezuelano atropelou preceitos como o equilíbrio entre os Poderes.
Em seis anos de poder, Chávez parece ter sido mais eficiente na criação de factóides para uma parcela da esquerda do que na obtenção de resultados. Quando os indicadores sociais não respondem a um contexto econômico favorável e à grande intervenção do Estado, é forçoso reconhecer que os excessos do regime chavista, além de indefensáveis, são pouco eficientes em seus objetivos.


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