Ribeirão Preto, Domingo, 19 de Abril de 2009

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São Carlos cria rota de prédios históricos

Em placas em 25 imóveis da cidade, programa lista informações em três idiomas sobre a história e a importância do prédio

Nem todos os imóveis tidos como de interesse histórico na cidade estão tombados por órgãos de proteção ao patrimônio

Edson Silva/Folha Imagem
Pedestre caminha em frente ao casarão Mário Tolentino, no centro de São Carlos, que integra conglomerado de edifícios históricos

JEAN DE SOUZA
ENVIADO ESPECIAL A SÃO CARLOS

Ao chegar a um imponente imóvel no centro de São Carlos, o turista -ou o próprio são-carlense- saberá a história do prédio, seu nome atual e antigo e terá uma explicação sobre o estilo arquitetônico da construção. É o que prevê o projeto Percursos, que já listou 25 pontos de interesse histórico e prevê catalogar outros 75 nos próximos três anos.
Nos imóveis participantes do programa, lançado este mês, constam placas de metal com informações em português, inglês e espanhol. Em São Carlos, há pelo menos 1.500 imóveis que conservam suas características históricas, muitos deles construídos no século 19, segundo a diretora da Fundação Pró-Memória, Ana Lúcia Cerávolo. Entre os imóveis da rota estão a Câmara, o Casarão Cury, a escola Eugênio Franco, o Palacete Visconde da Cunha Bueno e o Primeiro Palácio Episcopal.
O objetivo do projeto é valorizar o conjunto arquitetônico da cidade e, por consequência, sua história. "Estabelecer uma política patrimonial em uma cidade média como São Carlos é importante para mostrar que toda cidade tem história, permite que as pessoas na rua comecem a conhecer melhor a cidade em que moram", disse a diretora da fundação.
Esses 25 pontos passaram, pelo menos em tese, a ser locais de visitação turística. Além disso, têm seus endereços expostos em mapas pela cidade, também nos três idiomas.
Desde 2005, o município concede a imóveis de interesse histórico abatimentos e até isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Não se trata de tombamento, segundo Ana Lúcia, que é um processo mais burocrático, mas sim a tentativa de fazer com que os proprietários mantenham os imóveis conservados.
"Há um consenso na área de preservação do patrimônio de que só o tombamento de monumentos não é suficiente. É preciso tomar iniciativas que envolvam a sociedade", disse o professor do departamento de arquitetura da USP São Carlos Carlos Ferreira Martins.
Para ele, projetos do gênero têm como efeito positivo a "educação patrimonial". "É muito interessante quando as pessoas conhecem como a cidade, por meio da arquitetura, se desenvolveu." Martins disse que o turismo pode ser beneficiado, mesmo em cidades médias, como São Carlos. "Com a preservação do patrimônio, o turista de negócios pode escolher ficar mais um dia."


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