Ribeirão Preto, Domingo, 25 de Janeiro de 2009

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Desemprego em Franca atinge milhares

Em bairros mais pobres, as rodas de adultos sem emprego contrastam com as de crianças que estão em férias escolares

As fábricas de calçados demitiram até pessoas com mais de 12 anos de experiência; esperança é obter vaga após Carnaval

Fotos Silva Junior/Folha Imagem
Desempregado, João Paulo Pimenta dá entrevista na sala de casa

DA FOLHA RIBEIRÃO

Nem a experiência em currículo de quatro anos como sapateira, com passagens por duas grandes empresas do setor em Franca, salvaram Rosalina da Silva, 33, da onda de demissões em Franca, agravada pela crise.
Só em dezembro, a cidade amargou a estatística de ter sido a terceira que mais demitiu no país, atrás apenas de São Paulo e Manaus. Foram 11.101 contratos encerrados, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Juntos, os demitidos na cidade são mais numerosos que a população de 299 municípios paulistas (46% das cidades do Estado). Além de Rosalina, outras 9.973 pessoas deixaram empresas calçadistas.
Sem salário há exatos 30 dias, a sapateira sobrevive com os R$ 82 do Bolsa Família que recebe do governo federal. O aluguel da casa em que mora com a filha, Ketelin, 11, não foi pago em janeiro. Nos últimos dias, ela deixou currículos nas portas de sete grandes empresas calçadistas, sem resultado.
"Umas dizem que pela situação não vão contratar. Outras nem atendem e temos que entregar o currículo aos vigias. Se não arrumar nada, vou ter que sair da casa", afirmou.
Não é preciso muito esforço para encontrar em Franca quem tenha sido demitido no fim de 2008. Em bairros carentes, como Parque Vicente Leporace, Parque Portinari e os jardins Aeroporto 1, 2 e 3, as rodas de adultos sem emprego contrastam com as das crianças, em férias escolares.
O desemprego atinge a todos, sem distinção de idade, sexo ou escolaridade. Com experiência de 12 anos na indústria calçadista, Audecir Bispo, 34, abriu mão temporariamente da profissão para sustentar a família. "Comecei a aceitar bicos como servente de pedreiro. Se tiver que ser assim, largo o sapato."
Nas ruas, a preocupação dos desempregados vai contra o otimismo dos sindicatos, tanto o dos empresários como o dos trabalhadores. Ambos falam que os efeitos da crise ainda não puderam ser notados.
"Todo ano tem demissão, mas depois do Carnaval se contrata novamente. Se isso não acontecer, aí sim poderemos afirmar o tamanho do baque", disse Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores.
Além de voltar a elaborar os currículos e correr a cidade atrás de oportunidades, os desempregados têm em comum a esperança. A maioria espera voltar ao mercado em fevereiro. Enquanto isso, usam o seguro-desemprego.
Alessandro Costa, 23, usou o dinheiro da rescisão que recebeu da indústria Mariner para adiantar parcelas da moto que comprou. O dinheiro do seguro-desemprego é usado nas despesas do dia-a-dia.
Franca tem 760 indústrias de calçados, a maioria pequenas e médias. ROBERTO MADUREIRA


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