Ribeirão Preto, Domingo, 25 de Janeiro de 2009

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Ministério descobre desvio de FGTS em Monte Azul

Processo que envolve três funcionários da prefeitura tem mais de 700 páginas

Servidores são acusados de passar uma parte do dinheiro para outras contas por dez anos; valor desviado não foi revelado

VERIDIANA RIBEIRO
DA FOLHA RIBEIRÃO

O Ministério Público do Trabalho em Bebedouro descobriu um esquema de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Monte Azul, região de Ribeirão Preto, que pode ter beneficiado servidores de carreira durante os últimos dez anos.
Segundo Amilton Corrêa, chefe do setor de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Barretos, funcionários da prefeitura responsáveis por individualizar o depósito do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) nas contas dos servidores do município desviaram parte do dinheiro para outras contas vinculadas ao FGTS na Caixa Econômica Federal.
Nem o valor subtraído nem a quantidade de contas que teriam sido beneficiadas foram divulgados.
Um relatório de mais de 700 páginas, com cópias de documentos da prefeitura e comprovação dos depósitos, já foi elaborado pelo Ministério do Trabalho, que nesta semana deve enviar cópias à prefeitura, à Caixa e ao Ministério Público Estadual.
De acordo com Corrêa, não há dúvidas de que pelo menos três servidores de carreira cometeram irregularidades. "Ao Ministério do Trabalho coube o levantamento. Agora, o promotor vai verificar se propõe ação criminal. E à prefeitura cabe tomar as medidas administrativas", disse.
As investigações do Ministério do Trabalho começaram em setembro do ano passado por causa de uma denúncia anônima. Ao ser notificado sobre a fiscalização, o então prefeito Jackson Plaza (PTB), que governou Monte Azul por oito anos, contratou uma empresa privada para fazer uma sindicância na administração.
"Temos mais de 500 funcionários e seria preciso investigar dez anos, incluindo funcionários antigos, aposentados. Não teria como a prefeitura investigar", disse Plaza, que negou ter conhecimento, antes da notificação do Ministério do Trabalho, de qualquer indício de desvio de recursos no município (leia texto nesta página).
O atual prefeito Cláudio Gilberto Arroyo (PMDB) disse à Folha que o resultado da sindicância interna deve ser apresentado nos próximos dias. Segundo Arroyo, prefeito de primeiro mandato, os três servidores suspeitos de participação no esquema estão em férias, intencionalmente.
"Eles já estavam com férias vencidas e eu achei melhor que eles ficassem afastados. O objetivo era justamente ter mais condições de concluir a investigação", afirmou Arroyo. O prefeito disse, ainda, que nenhum dos servidores suspeitos do golpe continua exercendo funções ligadas ao depósito do FGTS.


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