São Paulo, segunda, 23 de novembro de 1998

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

MEDITERRÂNEO
Capital da Sicília constitui caleidoscópio cultural e arquitetônico a partir das invasões do mundo antigo
Palermo brilha em mosaicos bizantinos

do enviado especial ao Mediterrâneo

Capital da Sicília, a maior ilha do Mediterrâneo, com 25.708 km2, Palermo é um dos cinco mais populosos centros urbanos da Itália.
O mais curioso é que esse porto ancestral, a meio caminho entre a Europa e o norte da África, nem se parece muito com a maioria das cidades italianas.
A Sicília foi invadida por metade das civilizações do mundo antigo, reunindo as culturas e os estilos arquitetônicos que fizeram de Palermo um caleidoscópio.
Para desvendar um pouco desse emaranhado, vale ver os mosaicos bizantinos no interior da igreja de Monreale, que os normandos edificaram no alto do monte Caputo, 300 m acima do nível do mar, e que se tornou mosteiro beneditino.
São 6.340 m2 de mosaicos -a basílica de San Marco, em Veneza, tem 3.800 m2- que foram recobertos com 80 kg de ouro puro e o mais fino vidro.
O resultado é, literalmente, brilhante, com destaque para o mosaico que representa Jesus Cristo junto ao altar, trabalho executado por artesãos bizantinos e sicilianos nos séculos 12 e 13.
Todo o forro, aliás, é uma obra-prima, concebido como uma espécie de história em quadrinhos para que mesmo os analfabetos pudessem compreender os fatos narrados na Bíblia.
O único inconveniente é a caminhada morro acima, que inclui escadaria de 93 degraus e uma rampa que conduz até a praça Guglielmo 2, onde está a igreja.
Na subida, lojas de cerâmica vendem azulejos e pratos pintados à mão, além de imagens de Sol e Lua.

Bonita por fora
Mas, se Monreale é famosa pelo revestimento de mosaicos, a catedral normanda -construída no século 12 na área sacra mais antiga de Palermo, onde fenícios, romanos, bizantinos e árabes já haviam edificado locais de culto- é famosa pelo seu aspecto externo. Modificada entre os séculos 15 e 18, é única em seu estilo gótico-florido.
Dentro, essa catedral mescla capelas barrocas e teto neoclássico, num conjunto de gosto duvidoso. Outra curiosidade é o relógio de sol, que ilumina na época correspondente cada um dos signos do zodíaco, engastados no chão de mármore. (SILVIO CIOFFI)


Texto Anterior | Próximo Texto | Índice


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Agência Folha.