São Paulo, quinta-feira, 29 de novembro de 2007

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BOAS FESTAS

Alemanha festeja o Natal em mercados típicos e centenários

No país que criou a árvore de Natal, cada enfeite tem um significado e, em vez de peru, a ceia é com ganso

LETÍCIA FONSECA-SOURANDER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BERLIM

Em nenhum país o Natal é mais celebrado do que na Alemanha (www.visitealemanha.com). Nessa época, centenas de "Weihnachtsmarkt" (mercados de Natal) recebem visitantes do mundo inteiro.
O mais tradicional é o Christkindlesmarkt, em Nuremberg. A cada ano, mais de 2 milhões de turistas fazem compras nas 180 barracas montadas na praça principal da cidade.
A cidade de Rothenburg ob der Tauber, tombada pela Unesco, tem desde o século 15 o Reiterlesmarkt, um dos mercados mais antigos do país.
Já em Dresden é a vez da 573ª edição do Striezelmarkt. No dia 8 de dezembro, um "stollen" -bolo típico com passas e marzipã- de 4 toneladas será cortado em pedaços e oferecido ao público. E, para se esquentar durante o frio, não deixe de provar o "glühwein", vinho quente com cravo e canela.
Mas a ligação da Alemanha com o Natal é muito mais profunda do que se pode imaginar.
Em Erzgebirge, no leste, perto da fronteira tcheca, um vilarejo resiste às decorações natalinas "made in China". Desde o século 15, Seiffen produz brinquedos, presépios de madeira, miniaturas de cidades e decorações natalinas feitas por várias gerações de uma família de marceneiros.
Também é no leste do país, na pequena cidade de Lauscha, que os sopradores de vidro começaram a fabricar as famosas guirlandas e adornos natalinos. As primeiras bolas para enfeitar as árvores de Natal foram criadas nessa região da Turíngia. Na época, toda a família participava da produção, e as mulheres iam vendê-las nos mercados.
O pinheiro de Natal era um costume pagão usado já antes da Idade Média. Naquela época, acreditava-se que a árvore tinha poderes mágicos e, por isso, seus ramos eram pendurados nas portas das casas para espantar os maus espíritos.
Segundo a tradição alemã, são Bonifácio, no século 7º, pregava na Turíngia e usava o perfil dos pinheiros como símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
A primeira referência à árvore de Natal como hoje a conhecemos surgiu no século 16. Diz-se que foi Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante, que, após um passeio pela floresta, numa noite estrelada, trouxe essa imagem à família sob a forma de árvore de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas. Isso porque, para ele, o céu devia ter estado assim no dia do nascimento de Jesus.
Na Alemanha, as famílias decoravam as suas árvores com frutos, doces e flores de papel (as vermelhas representavam o conhecimento, e as brancas, a inocência). Segundo a tradição alemã, uma árvore de Natal deve incluir 12 ornamentos para garantir a felicidade dentro de casa. Entre eles, um pássaro (alegria), um coelho (esperança), uma cesta de frutas (generosidade), um peixe (bênção de Cristo), uma pinha (fartura) e um coração (amor verdadeiro).
Hoje, a ceia de Natal na Alemanha é composta por ganso recheado com repolho roxo e "kartoffelklösse", um tipo de bola de massa de batata cozida. Em algumas regiões, a carpa azul ainda é o prato típico. No passado, o brilho das escamas do peixe representava a quantidade de prata que a família esperava ganhar no ano seguinte.
O "stollen" também não pode faltar à mesa. O bolo representa uma criança envolta em um lençol, como o menino Jesus. As "plätzchen", bolachas dos mais variados formatos e enfeitadas com bastante capricho, são ansiosamente aguardadas pelas crianças.


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