São Paulo, domingo, 28 de janeiro de 2001

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PERFIL

SIMONE SPOLADORE


Nome: Simone Spoladore
Idade: 22
Nasceu em: 29/10/1978
Natural de: Curitiba (PR)
Cineastas favoritos: Ingmar Bergman e Hal Hartley
Dramaturgos preferidos: Shakespeare e Beckett

Longe do perfil modelo-e-atriz, Simone Spoladore é a revelação de "Os Maias", na qual vive Maria Monforte. Diz só se interessar por bons papéis, daí ter deixado de comparecer a testes para as novelas "Terra Nostra" e "Andando nas Nuvens". "Acho que fiz o certo", conta a curitibana, de 22 anos e seis de teatro profissional. Spoladore é cria de Luiz Fernando Carvalho, que a escolheu para seu filme "Lavoura Arcaica" e para a minissérie.

CRISTIAN KLEIN
DA SUCURSAL DO RIO

Como você foi descoberta pela Globo?
Eu havia participado do longa-metragem "Lavoura Arcaica". O diretor do filme, Luiz Fernando Carvalho, me chamou para fazer um teste para "Os Maias" e em apenas duas semanas já estava embarcando para as gravações em Portugal. Eu nunca tinha viajado para o exterior.
Qual foi o impacto de fazer televisão pela primeira vez?
Em "Os Maias" tudo foi muito corrido. Em "Lavoura Arcaica", pelo contrário, passei seis meses aprendendo dança do ventre e o elenco ficou dois meses fazendo laboratório numa fazenda de São José das Três Ilhas (MG). A gente plantava, tirava leite de vaca, fazia pão árabe, era um mergulho grande na vida rural dos personagens do filme.
A estréia do longa foi adiada para aproveitar que seu rosto ficaria mais conhecido pelo público depois da minissérie?
Não. O Luiz Fernando nem queria que eu fizesse "Os Maias", tentou me evitar ao máximo. Seu objetivo era que o filme guardasse alguma coisa nova. Mas mudei meu visual para a minissérie, coloquei lentes de contato azuis, meu cabelo ficou cacheado, tudo para que as pessoas enxergassem apenas a personagem Maria Monforte, que será bem diferente da Ana, de "Lavoura Arcaica".
Como é seu papel no filme?
A Ana pertence a uma família de imigrantes libaneses e é apaixonada pelo irmão André (Selton Mello). A trama lembra a de "Os Maias", mas, agora, em vez de ser a mãe de um casal de irmãos que se amam, eu sou a própria incestuosa.
Como você explica os baixos índices de audiência de "Os Maias"?
A minissérie tem um nível de qualidade e sofisticação que dificilmente foi atingido até hoje na televisão. É uma busca pela sensibilidade. Se causou polêmica é porque se trata de uma coisa nova. Sou apaixonada pelo resultado.
Você já havia sido sondada para algum papel na televisão antes de "Os Maias"?
Fui convidada a fazer testes para as novelas "Terra Nostra" e "Andando na Nuvens", mas nem compareci. Não me interessei pelo trabalho e acho que fiz o certo.
Você parece ter a preocupação de não ser apenas mais um rosto bonitinho na TV. Que precauções tem tomado para que isso não aconteça?
Tenho pensado bastante nisso. Minha precaução é estudar e ter calma. Quero continuar fazendo televisão, porque vou aprender muito, mas sempre com critério na escolha dos personagens.
Você tem sido reconhecida nas ruas, o assédio de fãs é grande?
Não muito. Mas as pessoas são simpáticas.
Como foi o começo de sua carreira?
Em Curitiba, fiz balé clássico dos 8 aos 16 anos. Aos 13, comecei a fazer cursos e peças de teatro. Aos 16, me tornei profissional. Aos 18, estava em São Paulo e fiz o teste para "Lavoura Arcaica" e, no ano seguinte, em 1998, foram as filmagens.
Que peças de destaque você fez em Curitiba?
"Agora É Que São Elas", baseada no romance de Paulo Leminski, com direção de João Luiz Fiani; "Onde Estivestes de Noite", baseada em contos de Clarice Lispector, dirigida por Edson Bueno; "Juventude", de Eugene O'Neill, uma montagem de Felipe Hirsh; "Tudo o Que Você Sabe Está Errado", com textos de Descartes e Shakespeare; e "R", com textos de Einstein sobre a teoria da relatividade, ambas dirigidas por Fernando Kinas.
Quais outros projetos você tem pela frente?
Há a possibilidade de um filme e uma peça de teatro, mas não está nada acertado. Ambos seriam em São Paulo, embora eu queira me mudar para o Rio.
Que papel gostaria de fazer?
Só fiz uma cena como Ofélia, em Hamlet, mas eu queria interpretar o papel por inteiro.



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