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15/12/2012 - 03h00

"Recuso-me a ir atrás do que funciona para outras", diz Jorge Oakim, editor da Intrínseca

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RAQUEL COZER
ENVIADA ESPECIAL AO RIO

Poucos meses após a chegada de "Cinquenta Tons", não havia papel e gráfica que dessem conta da demanda.

O primeiro problema a Intrínseca resolveu comprando toda a produção média da Suzano do papel usado para o livro: 600 toneladas por mês.

Lance de R$ 1,6 mi fez Intríseca ganhar direitos da série "Cinquenta Tons"
Com apostas altas, Jorge Oakim fez da editora Intrínseca uma das maiores do país

Quando a editora foi encomendar a uma nova gráfica uma tiragem extra de 400 mil cópias, a empresa pediu por livro um real a mais do que a tabela. Se o título faltasse no mercado, sairia do topo das listas. Jorge Oakim bancou os R$ 400 mil de diferença.

"Ele sabe que publicar hoje não pode implicar as contas de padeiro do negócio editorial no século passado", diz a agente Luciana Villas-Boas.

É mais simples para quem coleciona mega-sellers.

Nove anos atrás, a situação era outra. Descendente de libaneses, formado em economia, Oakim abriu a editora numa salinha em Ipanema, ele e mais um funcionário.

Sua aposta era um título que tinha comprado por US$ 1.000 na Feira de Frankfurt, à qual chegou sem saber que deveria ter marcado reuniões com meses de antecedência.

O livro era "Hell", relato de Lolita Pille sobre as patricinhas de Paris. Saiu em dezembro de 2003, vendeu 20 mil e deu a marca pop da editora --Oakim a define como "empresa de entretenimento".

A casa tinha três anos quando veio o mega-seller "A Menina que Roubava Livros", de Marcus Zusak. A Intrínseca, com quatro funcionários (hoje são 36), concorria com a Companhia das Letras.

Uma carta de Oakim ao autor levou ao desempate --Zusak se dobrou ao entusiasmo característico do editor.

Editoria de Arte/Folhapress

"É O QUE HÁ"

Ao citar livros previstos para 2013, como "Gone Girl", de Gillian Flynn, e um thriller de J.J. Abrams, criador da série "Lost", Oakim esbanja expressões como "espetacular", "demais" e "é o que há".

O estilo o tem ajudado a convencer livreiros de que tem preciosidades em mãos. Foi assim com o livro de Zusak, que estourou aqui --onde vendeu 2 milhões de cópias-- em 2007, antes de virar best-seller em qualquer outro país.

Naquela época, a Sextante comprou 50% da Intrínseca. A editora já operava no azul, mas Oakim concluiu que, deixando a parte operacional com uma sócia, teria tempo para cuidar do editorial.

Em 2008, a Sextante já colhia novos louros --saía pela Intrínseca o primeiro volume da série "Crepúsculo", 5,7 milhões de livros vendidos e a culpada pela onda de vampiros que assolou as livrarias.

"Eu me recuso a ir atrás do que já funciona para outras editoras", alfineta Oakim.

Nem todo risco rende o esperado. O plano de publicar não ficção nacional se concretizou no começo deste ano, com "Filho Teu Não Foge à Luta", de Fellipe Awi, sobre MMA (artes marciais mistas). A tiragem foi de 30 mil, alta para um estreante nacional. Por ora, vendeu 10 mil.

Há pouco, Jorge Oakim levou Miriam Leitão para seu time. Ofereceu por "A História do Futuro", próximo livro da jornalista, mais que o dobro do que oferecia a Record, editora dos anteriores.

"Hoje todos querem publicar pela Intrínseca, reconhecida pela qualidade e pelas vendas", diz a agente Lucia Riff, que fechou com a casa o novo romance de Letícia Wierzchowski, de "A Casa das Sete Mulheres" (Record).

Em entrevista recente ao "Valor", Sergio Machado, dono da Record, lamentou a "briga de faca" que vem obrigando editores a "concorrerem por seus próprios escritores". À Folha disse apenas achar Oakim "audaz".

 

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