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24/12/2012 - 15h23

Tarantino desenterra tormentos da escravidão nos EUA em 'Django Livre'

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PIYA SINHA-ROY
DA REUTERS

Vinte anos depois de Quentin Tarantino ter lançado seu primeiro filme, "Cães de Aluguel", o diretor voltou os olhos para a história da escravidão nos Estados Unidos em "Django Livre", uma história de vingança repleta de sangue, no estilo que é a sua marca.

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Tarantino, de 49 anos, tornou-se sinônimo de violência e humor negro, enfrentando nazistas em "Bastardos Inglórios" e mafiosos em "Pulp Fiction".

Em "Django Livre", com estreia marcada nos EUA para esta terça-feira (25), dia de Natal, ele combina um faroeste de ação e aventura, incluindo caubóis, com uma narrativa de vingança racial ambientada no século 19, antes da abolição da escravidão nos Estados Unidos.

Divulgação
Jamie Foxx e Leonardo Di Caprio em cena do filme "Django Livre", de Quentin Tarantino
Jamie Foxx e Leonardo Di Caprio em cena do filme "Django Livre", de Quentin Tarantino

O ator Jamie Foxx faz um escravo cuja liberdade é comprada por um ex-dentista, interpretado por Christoph Waltz. Os dois se lançam como caçadores de recompensas, atrás de assaltantes e ladrões de gado, até voltarem sua atenção para fazendeiros brutais no interior do Sul dos Estados Unidos.

Tarantino é bem versado na encenação de violência, mas disse que enfrentou "bastante ansiedade" ao filmar as cenas de escravidão. Ele já começou sob o fogo de alguns críticos por causa do uso freqüente no filme de um insulto racial dirigido a negros.

O diretor declarou que inicialmente hesitou em pedir a atores negros que interpretassem escravos acorrentados e chicoteados, e até mesmo chegou a pensar em filmar fora dos Estados Unidos.

Mas um jantar com o veterano ator Sidney Poitier, premiado com o Oscar, e a quem Tarantino chamou de "figura paterna", o fez mudar de ideia depois de Poitier lhe pedir para não "ter medo" de seu filme.

"Este filme é uma profunda, profunda, profunda história americana, e que precisava ser feito por um americano, e precisava de astros americanos. (...) Muitos dos filmes que lidam com esta questão têm geralmente britânicos no papel de sulistas e criam esse distanciamento", disse Tarantino.

Grande parte das cenas de escravidão mais chocantes, como lutas até a morte no estilo dos gladiadores e pessoas colocadas em uma caixa de metal sob o sol quente da região sul, foram extraídas de relatos verdadeiros.

"Nós estávamos filmando em solo sagrado. Este foi o terreno de nossos antepassados​​. (...) O sangue deles estava na grama, ainda há pedaços de carne cravadas nos caules", disse Tarantino.

Divulgação
Tarantino planeja uma tomada de "Django Livre", seu novo longa, em uma fazenda na Louisiana
Tarantino planeja uma tomada de "Django Livre", seu novo longa, em uma fazenda na Louisiana

O filme tem obtido boas críticas e deve ser forte concorrente ao Oscar, após ter recebido cinco indicações ao Globo de Ouro.

Com a exceção de Waltz, que interpreta o excêntrico caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz, os principais atores são americanos, e do Sul.

Tarantino se uniu novamente a Waltz, que ganhou um Oscar em 2010 por seu papel como um oficial nazista ameaçador em "Bastardos Inglórios", e ao colaborador de longa data Samuel L. Jackson, que interpreta o escravo Stephen, um personagem que Tarantino descreveu como o (personagem) "preto mais desprezível" na história do cinema.

O papel que tem sido mais comentado é o de Leonardo DiCaprio, com seu primeiro vilão, como um proprietário racista de uma plantação --um grande contraste com seu papel de galã em "Titanic" e de norte-americanos excêntricos em "O Aviador" e "J. Edgar".

Quando lhe perguntaram como se sentia ao ser o primeiro diretor a fazer de DiCaprio um vilão, Tarantino riu e respondeu que se sentia "muito bem". Ele elogiou a atuação de DiCaprio como um "Calígula" do Sul, referindo-se ao tirânico imperador romano.

"Eu o vi como um imperador menino petulante. (...) Ele não tem nada além de passatempos hedonistas e vícios para se saciar, e é quase como se ele estivesse apodrecendo por dentro", disse Tarantino.

 

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