'Sailing Band' exala aura de liberdade e distrai, sem problemas

ANDREA ORMOND
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

SAILING BAND (bom) * * *
DIREÇÃO Denis Nielsen
ELENCO atores desconhecidos
PRODUÇÃO Brasil, 2017, 14 anos
QUANDO estreia nesta quinta (11)
Veja salas e horários de exibição

Logo na abertura, "Sailing Band" coloca uma citação da banda australiana AC/DC. Algo sobre aproveitar a vida, no estilo rock n'roll, este balaio de gatos onde se pode colocar de tudo.

Com o passar dos minutos, o espectador percebe que o filme passa longe da turma de Malcolm e Angus Young. Os astros estão bem mais para The Police, no clipe de "Every Little Thing She Does Is Magic". Eles brincam no Caribe, no céu, no sol, no azul.

Em "Sailing Band", o diretor Denis Nielsen acompanha a banda Sound Citizens, formada por brasileiros e britânicos. O grupo decidiu viajar de veleiro pelas ilhas caribenhas, fazendo shows de porto em porto. Não conseguem, mas vem daí a "sailing band" do título.

As idades variam. Josh é praticamente um pós-púbere, enquanto Igor encarna um ogro experiente.

É o espírito dos "vinte e poucos anos" –cantado por Roger Daltrey ou Fábio Jr.– em corpos de "trinta e muitos". Basta emular o jeitão rebelde.

'FISH AND CHIPS'

Um dos pontos altos fica escondido: Josh fala da eficiência da banda. Britanicamente, como um prato de "fish and chips".

E isso apesar de estarem na América Central, a quilômetros da cozinha fantástica de Nigella Lawson. É um momento que destaca, nas entrelinhas, as diferenças entre os membros do grupo.

Outros músicos desgarrados aparecem no lugar. Um casal de americanos encarou o furacão Katrina e permanece velejando de ilha em ilha.

Enquanto isso, o roadie brasileiro faz as vezes de "garoto enxaqueca", dando dicas azedas sobre o mundo paradisíaco do Caribe.

Imagens de documentários musicais vêm à mente. A turnê furada do "Isto É Spinal Tap", por exemplo.

Mas Denis Nielsen não quis uma comédia sobre a situação. Quis se divertir.

Garrafas de cerveja são consumidas com gosto. Estoques de melanina são queimados pelo sol. Nada parecido com a melancolia de "Pink Floyd: Live at Pompeii".

"Sailing Band" deixa uma aura de liberdade e um olhar sobre gente que vive desconectada dos grandes centros. Certamente a intenção foi essa, apesar de, em vários momentos, as cenas parecerem orquestradas e um tanto forçadas.

No entanto, se o "drop out" de Timothy Leary é hoje uma relíquia, perdida no tempo, podemos relaxar e aproveitar a promessa de diversão. "Sailing Band" distrai, sem maiores problemas.

Veja o trailer de "Sailing Band"

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