Descrição de chapéu artes plásticas

Masp bate recordes com 'Histórias da Sexualidade'

Museu teve maior público de janeiro em sua história com exposição polêmica

Laura Mattos
São Paulo

Objeto de polêmica e alvo de processos pedindo o seu fechamento, a mostra "Histórias da Sexualidade", no Masp, termina nesta Quarta-Feira de Cinzas com números pouco animadores. Mas só para quem defendia a sua censura.

Visitantes observam obras da mostra - Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress

Até o domingo, dia 4, foram 114 mil visitantes, o que a coloca como a segunda mais vista nos últimos 12 meses no museu, atrás apenas da do pintor francês Toulouse-Lautrec, com 159 mil espectadores. Todas as outras tiveram menos de 80 mil.

Com a mostra que tanto barulho fez, o Masp bateu dois recordes: a maior visitação diária (6.471 no feriado de 25/1) e o melhor mês de janeiro de sua história (53 mil).

Outro número levantado a pedido da Folha foi o de visitantes menores de 18 anos ao museu nesse período —eles só podiam entrar com autorização dos pais porque a exposição continha cenas de sexo explícito. Foram 16 mil, o que representa 15% do público total.

A possibilidade de menores visitarem "Histórias da Sexualidade" havia sido motivo de fogo cruzado.

Em 19 de outubro, enquanto se dava a festa de abertura com 1.200 convidados, cerca de 600 pessoas criticavam o Masp, em seu vão livre. Elas estavam divididas. Uma parte protestava contra a decisão do museu de vetar a entrada de menores. A outra pedia o seu fechamento.

A censura mobilizava os dois lados, o que a queria por completo e o que não a aceitava nem parcialmente. Menos de um mês depois, o Masp reviu a decisão e permitiu a entrada de menores desde que acompanhados por seus responsáveis, seguindo orientação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

SEQUÊNCIA

A reação inflamada vinha na sequência de outras polêmicas envolvendo censura e arte, duas das mais rumorosas no mês anterior à mostra.

Em 10 de setembro, o Santander Cultural de Porto Alegre havia cancelado a mostra "Queermuseu" após a acusação de que obras faziam apologia de pedofilia e zoofilia.

No dia 28, grupos se voltaram contra o MAM-SP após uma criança ter tocado um artista que, nu, realizava uma performance no museu.

Nesse cenário, só o fato de "Histórias da Sexualidade" ter cumprido o cronograma já é algo a ser comemorado, na avaliação da antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz, curadora-adjunta do Masp.

"Em meio àquele fogo cruzado, a grande utopia era mantê-la aberta." O número de visitantes, opina, comprova que ela foi exitosa.

Para Schwarcz, os 15% de menores são um resultado "fantástico", que poderia ter sido maior se não fossem "a tensão e o ruído" na abertura em relação a esse tema.

Ela conta que a intenção sempre foi a de uma classificação apenas indicativa. Havia inclusive uma monitoria planejada para alunos do ensino médio. "Esse era o projeto inicial, introduzir conceitos e reflexões, discutir questões de gênero, de ativismo, auxiliando um debate sério."

Diante da trajetória de "Histórias da Sexualidade", contudo, Schwarcz ensaia otimismo: "Quem sabe não significou uma abertura para uma sociedade mais democrática, menos normativa, sem tantas restrições e moralismos".

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Fruto de dois anos de pesquisa e com um elenco de grandes nomes, de Picasso, Renoir e Manet a Adriana Varejão, Leonilson e Leda Catunda, a mostra coletiva reúne cerca de 300 obras do acervo do museu —entre esculturas, pinturas, filmes e fotografias— e de outras coleções para discutir corpo, erotismo e gênero.

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