'Me sinto nervosa e deslocada', diz Oprah sobre atuação em 'Uma Dobra no Tempo'

Apresentadora e atriz fica mais à vontade ao falar de bullying e inclusão, temas do filme

Rodrigo Salem
Los Angeles

Pouco mais de um mês após seu elogiado e politizado discurso no Globo de Ouro, Oprah Winfrey está semideitada numa cadeira, de pernas para o ar. Uma garota nos seus 20 e poucos anos troca os sapatos dela por tênis e começa a lacear o calçado.

 

Não é o tipo de imagem que a apresentadora, atriz, produtora e empresária bilionária costuma passar, ainda mais com sendo cotada para uma eleição presidencial nos EUA.

"Não sei por que tem uma pessoa laceando meus sapatos", adianta-se a bem-humorada Oprah ao notar a reportagem da Folha. "Acabei de perceber que isso está acontecendo e há um repórter na sala. Não é algo normal. Não sou uma diva que tem alguém para amarrar os sapatos."

As atrizes Mindy Kaling e Reese Witherspoon, que compõem junto com Oprah a tríade de entidades sábias do longa "Uma Dobra no Tempo", também estão na sala. "São confortáveis ou apenas bonitos?", desconversa Mindy. "Estou sempre maravilhada por essas duas mulheres. Sempre me fizeram sentir como se não houvesse uma hierarquia nas filmagens."

Se existisse, certamente no topo da cadeia alimentar estaria Ava DuVernay ("Selma"), primeira diretora negra a comandar um filme com orçamento de US$ 100 milhões. Ou Storm Reid, atriz de 14 anos que faz o papel de Meg, garota insegura e inteligente que sofre com o desaparecimento do pai e parte numa jornada celestial para encontrá-lo.

O papel pode ser o primeiro de cinco em uma série inspirada nas obras da escritora norte-americana Madeleine L'Engle, iniciada em 1962. "Li quando tinha 11 anos. Adoro ficção e não conseguia acreditar na jornada daquela garotinha", elogia Reese.

"É incrível como ela descreve os mundos do zero, mas também a raiva adolescente que sentimos quando somos inseguras", completa Mindy.

Já Oprah confirma que estava "intimidada" com sua atuação. "Fiz apenas cinco filmes", diz ela, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por "A Cor Púrpura" (1985), de Steven Spielberg.

"Me sinto nervosa e deslocada, como se estivesse fora do meu jogo. Acho que poderia ser muito boa atriz se fizesse mais filmes, mas não um a cada 15 anos. Precisei me familiarizar com tudo de novo."

Uma das mulheres mais poderosas e influentes do showbiz, Oprah Winfrey volta a se sentir mais à vontade quando questionada sobre temas como bullying, inclusão e preconceito que "Uma Dobra no Tempo" trata, quase 60 anos após a publicação.

 

"As trevas se espalham muito rápido hoje em dia. É a única coisa mais rápida que a luz, como falo no filme. Mas é uma oportunidade de olharmos para dentro, encontrarmos o que acreditamos e lutarmos por isso."

Como fazem os adolescentes da cidade de Parkland, Flórida, que desafiam um lobby bilionário e uma parcela da sociedade americana para lutar por regras mais rígidas na compra de armas?

"Se desligarmos todas as luzes desta sala e acendermos uma vela, ela pode iluminar um pouco. Mas se cada um de nós mantivermos uma vela acesa, não teremos um quarto escuro", filosofa Oprah. "Parkland é esperança. Aquelas crianças estão lutando por todas as vidas."

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