Narrativa onírica e circo guiam musical sobre Ayrton Senna

Produção recria biografia por meio de sonhos do piloto de F-1

Maria Luísa Barsanelli
São Paulo

É num sonho que “Ayrton Senna, o Musical” narra a história do piloto de F-1.

Para traçar a biografia, a produção da Aventura Entretenimento, que chega a São Paulo após uma temporada no Rio, se voltou à mítica em torno do circuito de Ímola, na Itália, onde Senna sofreu um acidente fatal em 1º de maio de 1994, e do que passou na cabeça do piloto naquele dia.

Naquelas voltas, Senna relembra sua trajetória e um pouco de sua vida pessoal, mesclando realidade e ficção.

“Nunca quisemos fazer um musical biográfico. Partimos de sensações, sentimentos”, afirma Cristiano Gualda, que assina com Claudio Lins a dramaturgia e as músicas.

Para o trabalho, a equipe, assim como o ator Hugo Bonemer, que interpreta o protagonista, teve acesso ao arquivo do Instituto Ayrton Senna e entrevistou familiares.

De fato, há no palco muito da relação com os pais (diálogos reais e imaginados) e questões profissionais, como a rivalidade com o francês Alain Prost, revista numa briga entre os dois. Esta foi toda baseada em falas reais, mas ditas para terceiros, nunca diretamente de um para o outro, como é colocado em cena.

Os relacionamentos amorosos, contudo, passam muito sutilmente pela trama. Namoradas polêmicas, como Adriane Galisteu e Xuxa, são todas resumidas em uma única figura, interpretada pela atriz Estrela Blanco.

“Queríamos fazer um musical sobre o Senna, não sobre os relacionamentos dele”, conta o diretor Renato Rocha

CIRCO

Para a trama onírica e a velocidade do ambiente de corrida, recorreu-se a uma atmosfera pouco realista.

O cenário e a direção de arte de Gringo Cardia trazem elementos das pistas, mas não em tamanho real —algo como “Senna no País das Maravilhas”, brinca Bonnener. Numa das cenas, por exemplo, o piloto corre sobre um pneu gigante.

A rapidez também é representada por números circenses, criação que contou com a ajuda de Rodolfo Rangel, integrante do Cirque du Soleil.

“A concepção partiu desse cara que voava na pista”, afirma Rocha. “A gente achou que a linguagem do circo seria a mais apropriada.”

A música vai numa linha similar, buscando sons “sujos” e agressivos da pista, com muito uso de sintetizadores, explica o diretor musical Felipe Habib. Também é usado um sistema de som 5.1, como em cinemas, para criar ruídos vindos de caixas na plateia.

Nos momentos mais intimistas, em que a história retrata as relações afetivas, a trilha se torna mais delicada.

AYRTON SENNA, O MUSICAL

  • Quando qui. e sex., às 20h30, sáb., às 17h e às 21h, dom., às 18h30; até 3/6
  • Onde Teatro Sérgio Cardoso, r. Rui Barbosa, 153, tel. (11) 3288-0136
  • Preço R$ 50 a R$ 150
  • Classificação livre
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