Descrição de chapéu

Com carisma do tamanho dos bíceps, Dwayne Johnson não consegue salvar 'Rampage' 

Longa traz história rasteira que só existe a serviço de um desfile infinito de efeitos especiais

Marina Galeano
São Paulo

Rampage - Destruição Total

  • Quando em cartaz
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Dwayne Johnson, Naomie Harris e Malin Akerman
  • Direção Brad Peyton

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Grande chamariz de bilheteria, o fortão Dwayne Johnson já está de volta aos cinemas. Desta vez, como o herói de “Rampage – Destruição Total”, outro daqueles blockbusters barulhentos, recheados de pancadaria, monstros gigantescos e um amontoado de cenas de ação de gosto duvidoso.
 
Somente três meses após a estreia de “Jumanji – Bem-Vindo à Selva”, The Rock vive Davis Okoye, um ex-militar com parcas habilidades sociais, que resolve se dedicar aos cuidados de primatas em um santuário na Califórnia.
 
No meio dos animais, Davis desenvolve cumplicidade especial com George, um simpático gorila albino resgatado ainda filhote das mãos de caçadores na África. Os dois se comunicam através de linguagem de sinais e se conhecem muito bem. 
 
Mas, essa relação —e toda a humanidade— ficam ameaçadas quando um acidente espacial pouco convincente arremessa na superfície da Terra cápsulas cheias de conteúdo geneticamente modificado.
 
Ao ter contato com o material, George se transforma numa besta-fera colossal, capaz de deixar King Kong no chinelo. Um lobo e um jacaré também entram na dança e passam a reforçar o time que aterroriza Chicago.
 
Diretor do longa, Brad Peyton foi buscar inspiração em um jogo de videogame homônimo, lançado nos anos 1980. Diante de um enredo limitado e simplório, cabia aos jogadores apenas assumir o controle de uma das três criaturas monstruosas, fugir do ataque das forças militares e destruir aquilo que viesse pela frente.

Nesse aspecto, não dá para negar que a adaptação cinematográfica é extremamente fiel às suas origens. “Rampage – Destruição Total” também traz uma história genérica, rasteira, que só existe a serviço de um desfile infinito de efeitos especiais e que tenta se apoiar nos músculos e no senso de humor de Dwayne Johnson.  
 
Porém, o careca boa-praça não encontra ajuda de nenhum lado. Os argumentos são frágeis; os diálogos são tolos; o excesso de cenas absurdas (tipo uma criatura mutante pular de um penhasco e abocanhar um helicóptero) extrapola os limites da paciência.
 
Nem mesmo a pirotecnia visual depõe a favor. A computação gráfica funciona com o gorilão albino. Já o lobo parece saído de um videogame ultrapassado, e o jacaré, de algum esboço de “Jurassic Park”.
 
Os personagens humanos, profundos como uma tábua, têm participações burocráticas que tampouco incrementam a narrativa. Naomie Harris (dra. Kate Caldwell) é a mocinha inteligente incumbida de traduzir ao público as intenções dos vilões.

A dupla do mal, interpretada por Malin Akerman e Jake Lacy, não espanta uma mosca e provoca uma pontinha de vergonha alheia.
 
Ou seja, missão impossível para The Rock. Apesar do carisma proporcional ao tamanho de seus bíceps, ele não consegue salvar “Rampage” da catástrofe completa.

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