Espaço inspira 'Imannam', mostra de trio de artistas 

Anna Maria Maiolino, Ana Linnemann e Laura Lima reúnem obras pensadas para o Pivô, no Copan

As três artistas que têm obras expostas na coletiva 'Imannam'
Laura Lima, Anna Maria Maiolino e Ana Linnemann (da esq. para dir.), que têm obras expostas na coletiva 'Imannam' - Helena Wolfenson/Divulgação
 
Isabella Menon
São Paulo

De uma brincadeira com a sonoridade dos nomes das artistas plásticas Ana Linnemann, Anna Maria Maiolino e Laura Lima, surgiu o título da mostra "Imannam", que será aberta neste domingo (8) no espaço cultural Pivô.

Durante dois anos elas conceberam a exposição, que tem curadoria de Tania Rivera e inclui trabalhos de som, vídeos, esculturas e instalações que conversam entre si.

"Sempre acham que, quando se é construída uma coletiva, se precisa de um tema. Aqui mostramos uma experiência de convívio de espaço entre nós", diz Anna Maria Maiolino. Para ela, mostras com tema são algo "chatíssimo", "te tiram a liberdade". "Já aqui, tivemos muita."

Segundo as artistas, a configuração singular do Pivô também influenciou a mostra —são 3.500 m², distribuídos em três pisos, dentro do edifício Copan, projeto de Oscar Niemeyer (1907-2012) que é a maior estrutura do concreto armado no Brasil.

Por isso, "Imannam" brinca com o espaço do centro cultural, ao inserir elementos que podem confundir o espectador a respeito do que é arte e o que faz parte do local.

Laura Lima rebaixou o teto de entrada do andar da mostra, o que obriga o visitante a se abaixar e dar de cara com a obra "Os Invisíveis Número 11", de Ana Linnemann.

"É como se isso mostrasse o peso do concreto sobre os nossos ombros", diz Lima.

O espaço seguinte parece, à primeira vista, uma parede vazia, até tomadas começarem a se mover e revelarem outra obra de Linnemann.

Lima também interfere no ambiente com "Quarto Interceptado". No centro da mostra, ela projetou um pequeno escritório que, por uma fresta entre a lateral e o chão, permitirá ao público ver os pés de quem a ocupa.

"A topografia do lugar é parecida com o encontro que nós tivemos, umas se conhecem mais e outros menos", diz a artista, que foi a última a entrar para o projeto.

Para Linnemann, "foi um encontro que funcionou". "Nunca achei que o que estava acontecendo aqui era uma relação simples, era uma coisa que se dava por meio dos trabalhos, das conversas."

CUNHO POLÍTICO

Para Maiolino, a exposição motivou as artistas a se conhecerem melhor a fim de pensarem no espaço e em como poderia ser apropriado.

"Somos de gerações diferentes, com obras diferentes, mas que são contemporâneas e têm uma transversalidade com esse espaço que é maluco", diz Maiolino, veterana do trio e nome de grande relevo no cenário mundial.

Para a mostra, ela se utilizará de objetos e de releituras de vídeos de sua autoria, além de reapresentar a instalação "Estado de Exceção" —uma cela que emite palavras soltas, que se intercalam e se repetem, como "no" e "escuro".

Produzida por Maiolino durante a ditadura militar, a obra tem forte caráter político, que ganha novo sentido com sua reapresentação.

"Não é porque está na moda ser político. Se a realidade te afeta, você dá uma resposta", diz Maiolino. "Como eu já tinha muitas obras de cunho político que foram feitas durante a ditadura, escolhi uma delas, muito apropriada para este momento em que o mundo e o Brasil estão à deriva."

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As artistas Ana Linnemann, Anna Maria Maiolino e Laura Lima apresentam vídeos, instalações, trabalhos sonoros e objetos concebidos para dialogar diretamente com o espaço da galeria.

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