Descrição de chapéu
Moda

Moda praia brasileira evita areia e fica entre barco e resort

Coleções gourmetizam biquíni e mostram estilo para ficar debaixo do guarda-sol

Pedro Diniz Giuliana Mesquita
São Paulo

Maior ativo da costura nacional, a moda praia da São Paulo Fashion Week anda mais chegada em cascalhos do mediterrâneo e madeira de lancha do que na areia.

"Resortwear", "bain couture", "beach deluxe". Gourmetizaram o biquíni, e isso não é necessariamente ruim, já que moda praia há muito tempo não se resume a peças utilitárias; mas parece que as grifes mais fortes do setor estão focadas em tornar esses adjetivos um padrão, não mais exceção como na década passada.

Lenny Niemeyer e Salinas, dois gigantes da moda praia brasileira com padrão internacional, reafirmaram em seus desfiles o estilo roupa para debaixo do guarda-sol.


CRÍTICA

Lenny Niemeyer

Mais técnica de todas as designers praianas, a estilista aplicou características da manufatura brasileira, como o macramê, em peças de lycra com muitos drapeados.

Lenny decidiu misturar elementos de seus modelos mais vendidos, como os maiôs de franjas e as estampas tropicais de outrora. A palha, outra ferramenta importante de sua moda, aparece em calças largas e em tops de cestaria.

É notável o uso de imagens óbvias sobre o Brasil --o verde e o amarelo são base das propostas-- e que esta não é uma de suas coleções mais inspiradas. Ainda assim, a estilista conseguiu mostrar seu talento de transformar banalidade em beleza ensolarada.

 

Salinas

Tem bastante cloro no mar de Jacqueline de Biase. Outra estilista-símbolo do "lifestyle" carioca, ela se estirou nas cadeiras de plástico dos resorts.

Esse tipo de empreendimento baseou a coleção de sua marca, com direito a estampas cujas linhas reproduzem as formas dos azulejos, tecidos atoalhados, como as toalhas distribuídas nos hotéis, e cores amenas.

Batizada de "Salinas Club Hotel", as peças também foram estampadas com reflexos do sol na água e as formas das quadras poliesportivas.

Do esporte, aliás, ela pesca as golas dos uniformes de tênis em saídas de banho e tops de biquínis de gola alta.

 

A. Niemeyer

É curioso como mesmo grifes que não têm a praia em seu CNPJ vêm olhando com lupa para o figurino do mar. Depois da Osklen e de João Pimenta, foi a vez das estilistas Renata Alhadeff e Fernanda Niemeyer, da marca A. Niemeyer, pincelarem em suas roupas o uniforme dos surfistas.

No caso delas, um surfista bem distante da realidade dos daqui. A praia de Montauk, no extremo norte do estado de Nova York, é o ponto de partida para o inverno —o destino é refúgio de quem pratica o esporte na estação.

Os cós das bermudas de náilon foram construídos em tricô, e os chinelos de praia e as camisetas puídas ganharam pompons de lã.

 

Beira

Estreante, a Beira é uma marca carioca especializada em modelagens amplas, tecidos nobres sem estampas e no conceito de atemporalidade. Suas coleções carregam a ideia de continuidade, sem temas, e se complementam.

Na prática, a roupa quase some ao pisar na passarela. Apesar do bom degradê, que vai do roxo ao vermelho, e da construção precisa, os looks monocromáticos ainda parecem simples demais para criar um discurso completo.

Ainda que prevaleça a boa seleção de tecidos tecnológicos, falta à marca uma imagem mais forte que justifique a presença na passarela.

 

Apartamento 03

Luiz Cláudio Silva, hoje, é o estilista mais completo no calendário da SPFW. Sua marca, desta vez inspirada na memória afetiva da infância, costuma ser uma execução perfeita das ideias que muitas vezes são bonitas apenas em textos.

A homenagem às mulheres que o ensinaram a costurar é uma carta de amor. "Quando eu era mais novo, ia para a escola com fios presos na roupa", disse. Da lembrança, vieram casacos, calças, vestidos e tops com fios aparentes.

Dos pences que acinturavam vestidos de festa, tirou casacos e calças que pareciam virados do avesso, com dobras tridimensionais. E dos retalhos de tecidos sofisticados que colecionava, o ótimo trabalho de "patchwork" do casaco que fechou o desfile.

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