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Brasileira Jade Catta-Preta faz stand-up e pontas em séries nos EUA

Comediante radicada no país há 24 anos já levou papel molhado e garrafada de plástico no palco

A comediante brasileira radicada nos EUA Jade Catta-Preta; aqui, ela posa, com os cabelos levemente ondulados, castanhos, na altura do ombro, bem penteados; usa maquiagem forte, faz uma careta e mostra os dois dedos do meio; veste um bustiê amarelo claro e uma roupa com cintura alta, marrom, com cinto largo do mesmo tecido; o fundo é um papel de parede com ar antigo, contrastando com a imagem contestadora que a imagem quer passar
A comediante Jade Catta-Preta - Jon Premosch/Divulgação
Fernanda Ezabella
Los Angeles

A comediante Jade Catta-Preta já levou papel molhado e garrafada de plástico no palco enquanto se apresentava nos clubes de Los Angeles. Como atriz, ganhou personagens em seriados que acabaram cancelados, mas conseguiu pontas em "Modern Family", "Californication" e "2 Broke Girls".

A vida em Hollywood não é nada fácil. "A rejeição é a pior parte", diz a brasileira de 34 anos, que se mudou para os EUA aos dez anos. "Mas quando dá certo e você volta ao set ou faz uma piada e todo mundo ri, tudo volta a valer a pena. Vou ficar velhinha e vou continuar fazendo teste."

Catta-Preta estudou teatro musical numa faculdade de Boston e trabalhou como apresentadora de um programa no YouTube da revista de comédia National Lampoon. O sonho era ser atriz, mas a comédia foi tomando conta de sua vida.

Por mais de quatro anos, foi bartender do lendário Comedy Store, fundado em Los Angeles nos anos 1970 e casa de diversos comediantes em começo de carreira, como Robin Williams, Jerry Seinfeld e David Letterman. Para trabalhar lá, era preciso também encarar um dos seus três palcos.

"Meu primeiro set foi maravilhoso. Depois por uns anos ficou ruim e depois melhorou. Eu era atriz, era camaleoa, ainda não tinha uma voz muito sólida. Hoje me conheço mais, sei sobre o que quero falar", contou à Folha.

"Foi um lugar difícil de crescer. Jogavam água em mim, papel molhado. Era uma fraternidade, os caras queriam que você provasse que tinha coragem e merecia de estar lá. Tinha que ser durona."

Seu assunto preferido é sexo, mas sem chocar. "Gosto de causar aquele desconforto, falo de coisas que todo mundo faz e ninguém admite", disse.

Ela conta que, em 2017, trabalhou 37 finais de semana abrindo para os comediantes Bill Burr, Kevin Nealon e Bobby Lee, em diversas cidades dos EUA.

Também gravou dois episódios da quarta temporada de "Life in Pieces", série para a qual fez testes cinco anos atrás. "É o que dizem: Hollywood é uma maratona, não um sprint [corrida de alta velocidade em curta distância]."

'Ninguém entendeu nada', afirma atriz sobre show em SP

Catta-Preta ficou 19 anos sem voltar ao Brasil, país que deixou após seu pai, nascido nos EUA e filho de diplomata, resolver abrir um negócio de hologramas no estado da Virgínia. No final de 2017, ela visitou São Paulo e fez um stand-up pela primeira vez em português, língua que domina com pouca confiança.

"Ninguém entendeu nada", disse, rindo. "No começo, eu só traduzi minhas piadas, mas não basta, o ritmo é diferente."

Rafinha Bastos serviu de anfitrião, ajudou com traduções e a levou para outros shows pelo Brasil. Em abril, ela esteve de novo ao país para outras apresentações e espera continuar voltando, além de trazer brasileiros para clubes de Los Angeles, como aconteceu com Bastos neste ano, na Laugh Factory.

Catta-Preta também quer encorajar mulheres, que ganham pouca atenção no circuito de stand-up, seja nos EUA ou no Brasil. Em São Paulo, reuniu numa cervejada cerca de dez mulheres comediantes e formou o Xoxota Clube.

"A mulher traz tudo para a comédia, traz realidade", disse. "A realidade que os homens acham que a gente vive é muito diferente."

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