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Penélope Cruz diz que ganhou o mesmo que Javier Bardem em filme

Longa de abertura do Festival de Cannes teve recepção gelada

Penélope Cruz posa para jornalistas em Cannes, onde apresentou "Todos lo Saben"
Penélope Cruz posa para jornalistas em Cannes, onde apresentou "Todos lo Saben" - Stephane Mahe/Reuters
Guilherme Genestreti
Cannes (França)

Em meio ao furor de movimentos feministas, Penélope Cruz acalmou um pouco os ânimos. Ela afirmou ter ganhado o mesmo salário que o ator Javier Bardem para fazer “Todos lo Saben”, thriller dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi.  

“Foi exatamente a mesma coisa”, disse ela, sem detalhar o valor, após a exibição do filme, no Festival de Cannes. Na primeira edição pós-escândalo Weinstein, o festival vem carregado das demandas dos movimentos MeToo e Time’s Up.

Neste ano, um e-mail e uma linha telefônica estão à disposição dos frequentadores para coletar informações sobre assédio, e uma marcha de mulheres está programada para tomar o tapete vermelho no sábado (12).  “Todos lo Saben” abriu a disputa desta edição de Cannes.

​Num ano com poucos nomes hollywoodianos, era um dos títulos da competição com mais potencial de trazer glamour ao tapete vermelho. Além de Cruz e Bardem, conta com o argentino Ricardo Darín. Mas a obra teve uma recepção crítica bem menos do que morna. Foi gelada, aliás. Na sessão para jornalistas, o filme mal foi recebido com palmas.

O longa é a primeira incursão do iraniano Farhadi no território dos filmes de gênero, e o primeiro rodado em espanhol. Penélope Cruz se derreteu em elogios ao diretor, explicando como ele até se mudou para a Espanha para se ambientar. “Ele era uma esponja, absorvendo tudo.” 

“O filme é totalmente espanhol”, disse o diretor. “E sou grato que os espanhóis reconheceram isso. Mas há uma alma iraniana nele, a ideia de que o artista desaparece, e não fica nada entre a obra e o espectador.” 

A trama acompanha o retorno da personagem interpretada por Cruz à pequena vila espanhola onde nasceu, para acompanhar o casamento da irmã. Ali, revê um amor da juventude (Bardem), enquanto o marido (Darín) ficou na Argentina. Um crime tem lugar durante a cerimônia, que é o pretexto para que o antigo casal tenha de acertar as contas com o passado.

É também o gancho para o cineasta iraniano levar, mais uma vez, levar seus personagens aos limites do esgotamento emocional e dali extrair alguma reflexão sobre o caráter e as opções que as pessoas fazem em situações extremas.

“Gosto de imaginar as diferentes formas de lidar com certos assuntos. Que escolhas eu faria diante de certos dilemas?”, indagou o realizador.

Talvez esteja aí a grande falha do seu filme. “Todos lo Saben” paira como um autopastiche de Farhadi, vencedor do Oscar por “A Separação” e “O Apartamento”. De novo, ele põe a família como núcleo do conflito, inclui segredos ocultos do espectador para movimentar a trama e enfoca a relação homem/ mulher e, particularmente, o orgulho masculino.

Só que o resultado é bem mais modesto do que nos longas anteriores. O grande segredo que é fonte do conflito central causa pouquíssimo impacto quando revelado. E o desvendamento do crime, como se verá ao final, não é nem um pouco surpreendente. 

Em conversa com a imprensa na manhã desta quarta (9), Farhadi terminou sua fala fazendo um apelo que parecia dirigido ao governo do seu país, que mantém em prisão domiciliar seu colega e conterrâneo, o cineasta Jafar Panahi.  “Ainda há tempo para que ele venha. Seria importante que ele visse como os espectadores vejam seus filmes”, disse o realizador. “É estranho que eu possa estar aqui, e ele não.” Panahi também compete pela Palma de Ouro, por “3 Faces”. 

O jornalista se hospeda a convite do festival

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