Após acusação de assédio sexual, chefe de animação da Disney deixará empresa

John Lasseter já havia tirado licença de seis meses após admitir erros de condutas

John Lasseter, que deixará a Disney no final do ano - Chris Delmas - 14.jul.2017/AFP
Nova York | Associated Press

John Lasseter, co-fundador da Pixar e chefe da divisão de animação da Disney, vai deixar os cargos   depois que foram revelados erros ligados a condutas de assédio sexual.

A Disney anunciou neste sexta (8) que Lasseter, um dos mais ilustres e poderosos nomes na animação, permanecerá como consultor até o final de 2018 e, então, deixará a empresa.

Em novembro de 2017, Lasseter tirou uma licença de seis meses, que ele chamou de "sabático". Ele se desculpou como "qualquer um que tenha sido alvo de um abraço não solicitado ou de qualquer outro gesto que tenha ultrapassado limites".  Naquele momento, Lasseter parecia ter esperanças de voltar à Disney, mas poucas pessoas em Hollywood acreditavam nessa possibilidade.

"Os últimos seis meses me deram a oportunidade de refletir sobre minha vida, minha carreira e minhas prioridades", afirmou Lasseter em comunicado. "Decidi que o final deste ano é o momento certo para começar a focar em novos desafios."

Aos 61 anos, Lasseter  é conhecido pelas camisas com estampas florais é um dos principais executivos de Hollywood atingidos após o surgimento do movimento MeToo, deflagrado após o caso do produtor Harvey Weinstein.

Um dos pioneiros na animação digital, John Lasseter teve grande participação em sucessos como "Frozen", ''Moana" e "Zootopia". Lasseter também foi o diretor de "Toy Story" e "Toy Story 2".

Quando a Disney comprou a Pixar em 2006, Lasseter foi nomeado chefe criativo da Pixar e do estúdio de animação da Disney.

O aguardado "Os Incríveis 2", que tem lançamento previsto para a próxima semana nos EUA, tem Lasseter como produtor-executivo.

A Disney não anunciou o sucessor de Lasseter.

ASSÉDIO EM HOLLYWOOD

Confira a seguir um resumo sobre os principais casos de assédio sexual e estupro em Hollywood reportados recentemente.

Harvey Weinstein
No caso que foi o estopim para a avalanche de acusações em Hollywood, o outrora poderoso produtor de 66 anos é acusado de ter assediado e estuprado mulheres ao longo de três décadas. Entre as vítimas estão Angelina Jolie, Ashley Judd e Gwyneth Paltrow. Bob Weinstein, irmão de Harvey, também foi acusado de assédio.

James Toback
Segundo o Los Angeles Times, mais de 30 mulheres denunciaram o diretor e roteirista de 72 anos de cometer assédio sexual. Autor da reportagem, Glenn Whipp disse ter sido contatado por 193 mulheres com acusações semelhantes contra Toback, autor do roteiro de filmes como "Bugsy" e "O Apostador".

Roman Polanski
Além de ter estuprado uma garota de 13 anos em 1977, o cineasta franco-polonês de 84 anos também é alvo de, pelo menos, outras quatro acusações contra mulheres menores de idade, entre elas a atriz Charlotte Lewis. Em Paris, uma retrospectiva de sua obra foi alvo de críticas por um grupo feminista.

Dustin Hoffman
O ator que tem hoje 80 anos é acusado de ter assediado sexualmente a escritora Anna Graham Hunter, então com 17 anos, no set do telefilme "A Morte de um Caixeiro-Viajante", em 1985. Ele teria falado de sexo para ela e a apalpado. Hoffman se desculpou e disse que aquilo não "reflete" quem ele é.

Brett Ratner
A atriz Natasha Henstridge diz ter sido forçada a fazer sexo oral no diretor de "A Hora do Rush" e "X-Men: O Confronto Final" nos anos 1990. Além dela, outras atrizes e modelos, como Olivia Munn e Jaime Ray Newman, também relatam casos semelhantes envolvendo ele. Rattner, 48, nega as acusações.

Ed Westwick
O ator conhecido por "Gossip Girl" foi acusado de estupro por Kristina Cohen e Aurélie Wynn. Ele nega. A polícia de Los Angeles abriu investigação sobre o primeiro caso. Com isso, a BBC suspendeu a exibição "Ordeal by Innocence". As gravações já iniciadas da segunda temporada de "White Gold", da Netflix, também foram suspensas.

Morgan Freeman
Uma assistente de produção acusou o ator de comportamento sexual abusivo durante as gravações de “Despedida em Grande Estilo” (2017). A assistente acusa o ator de ter colocado as costas das mãos em sua perna e diz que ele também teria tentado levantar sua saia. Segundo a CNN, outras acusações contra Freeman foram relatadas –16 pessoas foram ouvidas, oito das quais se disseram vítimas.

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