Jane Fonda, 80, protagoniza filme que trata da vida sexual de mulheres mais velhas

'Do Jeito que Elas Querem' quase não vingou porque Hollywood queria personagens mais novas

Rodrigo Salem
Los Angeles

Jane Fonda sempre foi uma atriz conhecida por expor suas opiniões. Discursou contra a Guerra do Vietnã, apoiou os Panteras Negras e, recentemente, relatou ter sido abusada na infância. E, aos 80 anos, a atriz que se tornou símbolo sexual com "Barbarella" (1968) e ganhou dois Oscar por "Klute" (1971) e "Amargo Regresso" (1978), diz não pretender ficar calada.

"Estamos vivendo o melhor e o pior dos tempos", diz Fonda à Folha. "Essa ascensão dos homens fortes que está acontecendo no mundo é muito perigosa. O momento dos tiranos subirem ao poder é quando há caos no planeta. Mas as pessoas estão acordando e fazendo diferença."

 
 

A atriz vê que sua parcela de participação também passa pelo filme "Do Jeito que Elas Querem", que estreia nesta quinta-feira (14) no Brasil.

O filme dirigido e coescrito pelo estreante Bill Holderman não apenas aposta numa comédia romântica numa época em que o cinema está povoado por super-heróis, mas também traz uma história protagonizada por quatro mulheres mais velhas lidando com problemas amorosos e sexuais —além de Fonda, há Diane Keaton (72), Candice Bergen (72) e Mary Steenburgen (65).

A fagulha no grupo vem do best-seller "50 Tons de Cinza".

"O sexo é um tabu nos EUA Unidos, apesar de haver pornografia por todos os lados. Mas, se você é mais velha, a ideia de que ainda é sexualmente ativa é enojadora para alguns. O filme mostra idosas ainda dispostas a uma boa transa", defende Fonda, que interpreta uma ricaça do ramo hoteleiro pró-sexo casual.

Mas não foi fácil tirar "Do Jeito Que Elas Querem" do papel. Executivos de Hollywood gostavam do que liam, mas a grande maioria pedia para Holderman diminuir a faixa etária das personagens.

"A sociedade tem uma visão enviesada em relação ao gênero. É completamente aceitável que um homem mais velho namore uma mulher mais nova, mas o contrário é tabu. A pressão foi grande para o filme ficar mais jovem, mas batemos o pé para lançá-lo dessa forma", explica o diretor.

A insistência valeu a pena. O longa surpreendeu nas bilheterias americanas, dominada por filmes como "Vingadores" e "Han Solo". De baixo orçamento —US$ 10 milhões (cerca de R$ 37 milhões)—, rendeu US$ 58 milhões (ou R$ 222 milhões) em três semanas.

O sucesso inesperado veio coroar um momento especial de Jane Fonda, que passou 15 anos sem atuar e, hoje, protagoniza a série da Netflix "Grace and Frankie", atualmente na quarta temporada, e ganhou documentário exibido no último Festival de Cannes.

 

"Não me aposentei aos 50 anos por causa de Ted Turner [seu marido à época e bilionário da mídia], mas porque não estava mais curtindo interpretar", conta. "Agora, estou amando tudo. Não podia imaginar uma vida melhor para mim aos 80 anos, nem em meus sonhos mais insanos."

Fonda diz "continuar curiosa", algo que a leva para um ativismo em comunidades mais pobres sobre a importância do voto e para entrevistas como esta, em um hotel de luxo em Hollywood.

"Isso me mantém jovem na alma. Os mais novos deveriam entender que não precisam ter medos de pessoas em situações diferentes."

E completa: "Namorei com 73 anos [com o produtor musical Richard Perry, 75] e foi bom porque tinha acabado de fazer uma cirurgia para tratar meu joelho. Quando você está numa nova relação, precisa poder ser ficar de joelhos [risos]".


Trinca de Janes

Momentos marcantes nos anos 1960, 70 e 80

1968

"Barbarella"

Jane Fonda como Barbarella - Divulgação

Ela ainda é lembrada como a heroína do filme futurista de Roger Vadim, com figurinos provocantes de Paco Rabanne

1971

"Klute"

jane fonda no filme klute
Jane Fonda em 'Klute' - Divulgação

Jane Fonda ganhou um Oscar de melhor atriz pelo papel da prostituta neurótica que se envolve com um detetive em Manhattan

1981

Polainas

Jane Fonda no programa Workout
A guru fitness Jane Fonda - Divulgação

Atriz se transforma em guru fitness com o best-seller "Meu Programa de Boa Forma" e uma série de VHSs de malhação

Erramos: o texto foi alterado

O magnata Ted  Turner não morreu ,como foi informado por erro da Redação.

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