Descrição de chapéu Flip

Economistas divergem em debate na Flip sobre crise e rumos para o Brasil

Mesa da Casa Folha com Laura Carvalho e Joel Pinheiro da Fonseca discutiu tributação, eficiência e projeções na economia

Fernanda Mena
Paraty

“Quem entende muito de economia aqui?”, pergunta o mediador. Meia dúzia de braços na plateia de 220 lugares da Casa Folha são erguidos. Quem entende um pouco? Alguns braços. Quem não entende nada? Agora, sim, a maior parte dos braços aparece.

Neste tom teve início a mesa Para Onde Vai a Economia Brasileira, que reuniu os economistas e colunistas da Folha Laura Carvalho e Joel Pinheiro da Fonseca para um debate de ideias sobre causas e remédios para a atual crise, com mediação do editor da Ilustríssima, Uirá Machado.

Carvalho é professora da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP. Alinhada à chamada economia heterodoxa, identificada com o campo do pensamento de esquerda, lançou recentemente o livro “A Valsa Brasileira: Do Boom ao Caos Econômico” (Todavia).

Fonseca é mestre em filosofia pela USP. É alinhado ao pensamento econômico ortodoxo, em geral identificado com o campo da direita, e prepara um livro sobre meritocracia para a editora Três Estrelas.

Os debatedores trataram das falhas em projeções de crescimento da economia brasileira, corrigidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2,3% para 1,8%.

Da esquerda para a direita: Joel Pinheiro da Fonseca Uirá Machado e Laura Carvalho
Da esquerda para a direita: Joel Pinheiro da Fonseca, Uirá Machado e Laura Carvalho em debate na Casa Folha - Keiny Andrade/Folhapress

“Economistas perdem em previsão apenas para os meteorologistas”, brincou Carvalho, que criticou aquilo que chamou de “promessas vendidas para sanar a crise”, como a saída de Dilma Rousseff do governo, a PEC do teto de gastos e a reforma trabalhista.

“Foi uma sucessão de panaceias que não deram resultado e os investimentos caíram mais de dois pontos em relação ao PIB. Quem torce em vez de fazer previsão está errando.”

Fonseca avaliou que erros do passado, cometidos no governo Dilma, seriam responsáveis em boa parte pela crise. “Se não fizermos escolhas duras, teremos algo muito pior na frente”, defendeu.

“O Brasil enfrenta uma situação fiscal muito grave, que vem se agravando numa velocidade e dimensão que acirram a falta de perspectiva. O Estado brasileiro gasta mais do que arrecada”, disse Fonseca, que explicou sua visão do que é ajuste fiscal e sua importância para demonstrar saúde financeira a credores.

O debate sobre eficiência e tributos tomou boa parte do debate.

O economista foi vaiado quando declarou ser favorável à cobrança de mensalidades dos mais ricos em universidades públicas. E Carvalho foi aplaudida quando disse que “um economista não tem o poder de realizar escolhas democráticas pela sociedade”, ao defender saúde e educação públicas gratuitas e universais constitucionalmente previstos.

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