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HQ faz releitura do gênero de super-heróis e brinca com seus clichês

'Black Hammer' venceu o Eisner, principal prêmio da indústria de quadrinhos no ano passado

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Black Hammer: Origens Secretas

  • Preço R$ 39,90 (184 págs.)
  • Autoria Jeff Lemire (roteiro), Dean Ormston (arte), Dave Stewart (cores)
  • Editora Intrínseca

Há um interesse crescente de leitores e editores brasileiros pelos títulos do quadrinista Jeff Lemire. Só em maio foram publicados quatro quadrinhos do autor canadense no Brasil, de diferentes gêneros e cada um por uma editora. 

Hoje, aos 42 anos, ele é provavelmente o autor mais badalado da indústria americana de HQs, tendo acumulado reconhecimento tanto por seus trabalhos autorais como por séries mensais para editoras como Marvel e DC Comics

“Black Hammer: Origens Secretas” está nessa leva de álbuns publicados em português. As 184 páginas sintetizam os principais temas tratados pelo autor em sua carreira: relacionamentos familiares, a vida em uma fazenda, medo do desconhecido e traumas de um passado próximo. 

E, embora o artista tenha experiência escrevendo roteiros de personagens como Wolverine, Gavião Arqueiro e Homem-Animal, este é seu primeiro projeto com super-heróis que ele mesmo concebeu.

Por sua parceria com o ilustrador britânico Dean Ormston e o colorista Dave Stewart nas primeiras edições de “Black Hammer”, reunidas no encadernado recém-lançado no Brasil, Lemire ganhou o troféu de melhor série original de 2017 do Eisner, maior premiação da indústria americana de quadrinhos. 

Com jeitão de HQ sci-fi da década de 1950, a série narra a história de um grupo de seis super-heróis vivendo há dez anos em uma fazenda de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos, suspensa no tempo e no espaço. 

Apesar de suas habilidades, o grupo não entende o que o fez parar ali e sofre com o longo tempo sem conseguir escapar. Eles tentam manter a aparência de uma família normal enquanto a população local vive inconsciente desse exílio. Apesar do desespero coletivo, alguns passam a aceitar a realidade imposta a eles e criam laços com a vizinhança, enquanto outros estão com os nervos à flor da pele e colocam o sigilo de suas identidades em risco.

As várias referências e homenagens feitas por Lemire a histórias e personagens clássicos de super-heróis evidenciam o domínio do autor das regras e dos clichês intrínsecos a tramas do gênero. 

As sequências de flashback mostrando os feitos dos protagonistas antes do isolamento são ode a uma era de quadrinhos escapistas e ingênuos, sem os dilemas morais tão comuns ao gênero nos dias de hoje —e presentes nos personagens de “Black Hammer” na realidade da cidade-prisão.

Nesse primeiro arco de histórias, o foco de Lemire está em apresentar seus heróis, um pouco do passado de cada um e como eles lidam com o confinamento. 

Enquanto isso, a arte de Ormston foge ao padrão de super-heróis musculosos e sem identidade estética. Cabe a Dave Stewart, um dos mais premiados coloristas de quadrinhos do mundo, dar o tom de cada sequência ao intercalar as cores chapadas do passado mais simples dos personagens com as várias nuances dos degradês do presente sombrio e desesperançoso.

“Black Hammer” pode vir a ser o grande trabalho da vida de Jeff Lemire, mas a edição publicada no Brasil é só o primeiro volume de uma série contínua, atualmente em seu quarto encadernado nos EUA. 

Ele não é o primeiro quadrinista a propor uma releitura de histórias de super-heróis e provavelmente não será o último. A forma como a HQ será lembrada na biografia do autor dependerá de suas próximas edições.

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