Após problema na voz, Toquinho estreia show 'Contrapontos' em São Paulo

Resultado de parceria com pianista descoberto por Madonna, repertório une erudito ao popular

Eduardo Moura
São Paulo

Toquinho tem estado sem tempo. É gravação, ensaio e entrevista o dia inteiro.

Além do show “Contrapontos”, que estreia em São Paulo no dia 13 de setembro, quinta-feira, no Teatro Opus, o cantor se divide entre shows com os Demônios da Garoa, “De Adoniran a Vinícius”, e apresentações em comemoração dos seus 50 anos de carreira, com participação de Ivan Lins e MPB4.


​A agenda cheia não abalou o bom humor do cantor paulistano. Mas abalou sua voz.

A entrevista foi dada no carro, a caminho de uma consulta médica —para dar uma olhada num "probleminha na voz".

O planejado era que fossem três apresentações de "Contrapontos", nos dias 11, 12 e 13. Devido a "questões técnicas e de logística", segundo a justificativa oficial, a produção acabou decidindo por apenas um, na quinta-feira (13).

O espetáculo terá a participação do premiado saxofonista Nailor Proveta e de dois jovens expoentes da música brasileira: o pianista sergipano João Ventura e a cantora goiana Camilla Faustino.

Toquinho conheceu João Ventura em Portugal, por intermédio de um empresário. O pianista brasileiro de 32 anos mora em Lisboa, para onde foi fazer um doutorado. 

Mas quem trouxe o pianista sergipano para debaixo do holofote foi Madonna. A intérprete de "Like a Virgin" se mudou para Lisboa em meados do ano passado. 

Na capital portuguesa, a cantora assistiu a uma apresentação do pianista brasileiro. Madonna então o convidou para tocar em sua apresentação no Met Gala, no museu Metropolitan em Nova York, em maio deste ano.

Antes de Ventura e longe de Nova York, foi no programa de Raul Gil que Toquinho conheceu Camilla Faustino. Desde 2016, a cantora o acompanha em praticamente todas as apresentações.

A turnê de “Contrapontos” teve início em Portugal, e a estreia brasileira será na capital paulista. 

Além de clássicos de Toquinho, como "Aquarela", "Que Maravilha" e "Como dizia o Poeta", o show traz uma série de mashups acústicos. 

Essas misturas, que dão nome ao espetáculo, unem "Garçom", de Reginaldo Rossi, a "O Vôo do besouro", de Rimsky-Korsakov. Junta "Por Elise", de Beethoven, com "Hallelujah", de Leonard Cohen. Charles Gounod, Paul McCartney, Mozart e Lucio Dalla também fazem parte da salada.

"Isso faz parte da fusão que o João Ventura faz", diz Toquinho. 

Apesar de dar espaço a novos talentos da música, o cantor paulistano não se mostra satisfeito com a produção artística atual no Brasil.

"Minha geração viveu num momento brasileiro único, de uma música bem trabalhada", diz enquanto faz referência ao amigo Tom Jobim e à amiga Bossa Nova. "Nós somos historicamente mais privilegiados".

"Hoje em dia, a pulverização é enorme. Em termos de união, não há um movimento musical. O Brasil está pobre", completa.

Depois de São Paulo, "Contrapontos" vai para Aracaju (16/7), e Maceió (21/10). Com o show "Toquinho 50 Anos de Música", se apresenta em Vitória no dia 29 de setembro e em Brasília no dia 8 de dezembro, com a cantora Tiê.

Com os Demônios da Garoa, apresenta-se em Santos (19/10), em RIbeirão Preto (20/10), no Recife (9/11) e em Fortaleza (10/11).

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