Ícone do design retrô, Fusca tem fim anunciado pela Volkswagen

Projetado na Alemanha nazista, carro conquistou o mundo inteiro, amigos e inimigos do führer

São Paulo | Com agências de notícia

A Volkswagen anunciou que vai encerrar a produção do Fusca em julho de 2019, na sua fábrica no México.

O fusca clássico foi produzido até 2003, e vários redesigns vieram ao longo do tempo. Entre eles, o New Beetle, lançado em 1998, em meio a uma onda futurista-retrô pela qual passava o design.

No mesmo ano e na mesma onda, foi lançado bem-sucedido iMac G3 da Apple, com seu monitor colorido e translúcido. No Brasil, os degradês e formas geométricas de Hans Donner ainda davam o tom das vinhetas da Globo.

Ferdinand Porsche explica a Adolf Hitler, em 1938, que o motor do Fusca fica no "porta-malas" do carro. A imagem está no livro "A Verdadeira História do Fusca", de Paul Schilperoord - Divulgação

Inspirou até mesmo modelos de outras fabricantes de automóveis, como é o caso do Cinquecento da Fiat.

O Fusca chegou ao Brasil em 1950, importado, enquanto a montagem nacional começou em 1953 no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Lançado em 1938, na Alemanha nazista, o modelo foi criado por Ferdinand Porsche e sua equipe.

O design seguiu briefing dado pelo próprio Adolf Hitler: barato, prático, simples —o “carro do povo” fazia parte da estratégia nazista de desenvolvimento da indústria alemã.

Em poucas décadas, a criação cairia no gosto do mundo. De hippies a donas de casa. De mexicanos a brasileiros.

Talvez a resposta para tamanho sucesso esteja em Susan Sontag, que escreveu em 1975 sobre a estética nazista (“Fascinating Fascism”, fascismo fascinante), em artigo para a revista The New York Review of Books.

Sontag caracteriza a arte e a estética nazista como “simples, figurativa, emocional, não-intelectual, um alívio às difíceis complexidades da arte modernista”.

Mas os ingleses também têm mérito pelo sucesso do Fusca. Foram eles que retomaram a fabricação do carro no pós-guerra.

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