Ícone do modernismo, Palácio Capanema no Rio ganha nova fachada mas só será reocupado em 2020

Edifício do MinC abrigava partes do Iphan, Funarte, Biblioteca Nacional, Fundação Palmares e Ibram

Júlia Barbon
Rio de Janeiro

Primeiro edifício modernista do Brasil, o Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, teve a restauração de sua fachada inaugurada nesta quinta-feira (20) pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) após dois anos de obras.

No entanto, o prédio, que está vazio desde março do ano passado e se encontra cercado por tapumes, só deverá ser reocupado em 2020, quando a restauração da parte interna ficar pronta. A licitação para essa nova etapa também foi lançada nesta quinta, e a previsão é que as reformas comecem ainda neste ano.

O edifício de 16 andares pertence ao Ministério da Cultura e abrigava também partes do Iphan, da Funarte (Fundação Nacional das Artes), da Biblioteca Nacional, da Fundação Palmares e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) --extinto recentemente pelo presidente Michel Temer (MDB).

Esses funcionários foram realocados para outros prédios durante as obras. A ideia é que, quando ficar pronto, o Capanema não só receba de volta esses setores administrativos como se torne mais um centro cultural do Rio.

“Ele estava subutilizado. Estamos reestruturando para que tenha áreas expositivas, biblioteca, que seja acessível para o público”, afirmou Robson Almeida, diretor de projetos especiais do Iphan, órgão responsável pela restauração.

“O palácio, nos últimos 20, 30 ou 40 anos, não vinha sendo valorizado e reconhecido como deveria”, disse o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, presente na inauguração. Uma série de reformas já vinha sendo realizada ali desde 2014.

Na atual etapa, o prédio teve suas janelas (esquadrias) substituídas, seus brises-soleils azuis (sistema de lâminas horizontais móveis que redireciona a luz do sol) recuperados e os revestimentos de pedra dos pilotis (colunas de sustentação do prédio que deixam o térreo livre) restaurados.

Também foi feita a impermeabilização do jardim no terraço, a cobertura do bloco dos auditórios e a modernização dos elevadores, entre outras mudanças.

Até agora foram gastos R$ 42 milhões (R$ 28 milhões vieram do PAC Cidades Históricas e o resto, do próprio orçamento do Iphan). Para a nova etapa, que deve durar até 30 meses, estão reservados mais R$ 80 milhões, integralmente do PAC.

“É um projeto delicadíssimo. Não só pelo próprio edifício, que é um ícone da arquitetura mundial, mas também pelas obras de arte que estão integradas a esse edifício. Precisou de muita expertise”, afirmou a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

Em 2020, mesmo que não esteja totalmente pronto, o edifício vai sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, promovido pela União Internacional de Arquitetos (UIA). A expectativa é receber mais de 15 mil arquitetos de diversos países.

A importância histórica do Capanema se deve a vários fatores. Ele foi projetado na década de 1930 por uma comissão de arquitetos que inclui nomes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, com a consultoria do suíço Le Corbusier.

Conta ainda com jardins de Roberto Burle Marx, azulejos de Cândido Portinari e pinturas de Alberto Guignard e José Pancetti, além de esculturas de Bruno Giorgi, Adriana Janacópulos, Jacques Lipchitz e Celso Antônio Silveira de Menezes.

O edifício teve destaque também em 2016 quando, junto a outros prédios públicos de outras capitais, foi ocupado por manifestantes por cerca de 70 dias. Eles protestavam contra a extinção do Ministério da Cultura pelo presidente Michel Temer (MDB), que revogou a medida após a pressão.
 

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