NBC nega tentativa de frear investigação sobre abusos de Weinstein

Segundo jornal e site, emissora teria tentado deter trabalho de Ronan Farrow e Rich McHug

AFP

A direção da NBC qualificou nesta sexta-feira (31) de "mentira descarada" a informação de que a emissora teria tentado frear uma investigação sobre acusações de abuso sexual contra Harvey Weinstein, ao suspender e inclusive ameaçar seus jornalistas, como relataram alguns meios de comunicação americanos.

De acordo com informações do jornal The New York Times e do site The Daily Beast, a emissora NBC tentou deter a investigação liderada pelo jornalista Ronan Farrow e pelo produtor Rich McHugh.

O produtor de cinema Harvey Weinstein chega ao tribunal, em Nova York, em foto de julho de 2018 - Seth Wenig/Associated Press

McHugh foi citado pelo Times assegurando que lhe ordenaram, depois de passar meses investigando, não entrevistar uma das acusadoras de Weinstein por uma ordem proveniente "dos níveis mais altos da NBC".

"Três dias antes de Ronan e eu irmos para Los Angeles entrevistar uma mulher com uma acusação de estupro crível contra Harvey Weinstein, me mandaram parar, não entrevistar essa mulher e deixar completamente de lado essa história", disse ao jornal McHugh, que deixou a NBC em meados de agosto.

O Daily Beast informou citando fontes não identificadas que a NBC, pressionada pelos advogados do então magnata de Hollywood, ameaçou prejudicar Farrow se continuasse com a matéria.

Mais tarde, Farrow levou o tema à revista The New Yorker, onde sua publicação desatou uma série de investigações contra Weinstein que, finalmente, levaram a sua denúncia com acusações por vários crimes, e inspiraram o movimento #MeToo pelas vítimas de assédio sexual.

Em um comunicado transmitido nesta sexta à AFP, um porta-voz da NBC qualificou as acusações do produtor de uma "mentira descarada".

O jornalista Ronan Farrow, autor das reportagens investigativas contra Harvey Weinstein - Ted Shaffrey/Associated Press

"Depois de a NBC pedir a Ronan Farrow, em agosto de 2017, que investigasse sobre Weinstein e o apoiasse em seu esforço por oito meses, ele achou que a sua investigação estava pronta para ir ao ar, mas a NBC não estava de acordo porque, infelizmente, não tinha uma só vítima —ou testemunha— dos abusos de Weinstein que aceitasse ser identificada", assegurou a emissora.

O canal, propriedade do conglomerado de cabo e entretenimento Comcast, afirmou previamente que a história de Farrow não estava pronta quando saiu da NBC.

Farrow venceu o Prêmio Pulitzer por seus artigos sobre Weinstein, que começaram em outubro de 2017.

Depois que a história com Weinstein foi revelada, o apresentador estrela da NBC Matt Lauer foi forçado a pedir demissão por acusações de assédio sexual, e o ex-apresentador de notícias da mesma cadeia, Tom Brokaw, enfrenta acusações de avanços indesejados.


 

ASSÉDIO SEXUAL

Confira a seguir um resumo sobre os principais casos de assédio sexual e estupro em Hollywood reportados recentemente.

Harvey Weinstein
No caso que foi o estopim para a avalanche de acusações em Hollywood, o outrora poderoso produtor de 65 é acusado de ter assediado e estuprado mulheres ao longo de três décadas. Entre as vítimas estão Angelina Jolie, Ashley Judd e Gwyneth Paltrow. Bob Weinstein, irmão de Harvey, também foi acusado de assédio.

Kevin Spacey
O ator de 58 anos foi acusado pelo colega Anthony Rapp de o ter assediado fisicamente quando a vítima tinha 14 anos. O ator mexicano Roberto Cavazos fez acusações semelhantes. Após as acusações, a Netflix suspendeu a última temporada da série "House of Cards" e afastou o ator do programa, além de cancelar o lançamento do filme "Gore", protagonizado por Spacey.

Louis C.K.
O comediante e diretor de 50 anos confirmou as acusações de assédio sexual feitas contra ele por cinco mulheres, publicadas em reportagem do "New York Times". Em dois relatos, o comediante se masturbou em frente a atrizes sem o consentimento delas. Após as denúncias, a estreia do filme "I Love You, Daddy", de Louis C.K., foi cancelada. A Netflix também cancelou a produção de um especial com o comediante.

James Toback
Segundo o "Los Angeles Times", mais de 30 mulheres denunciaram o diretor e roteirista de 72 anos de cometer assédio sexual. Autor da reportagem, Glenn Whipp disse ter sido contatado por 193 mulheres com acusações semelhantes contra Toback, autor do roteiro de filmes como "Bugsy" e "O Apostador".

Roman Polanski
Além de ter estuprado uma garota de 13 anos em 1977, o cineasta franco-polonês de 84 anos também é alvo de, pelo menos, outras quatro acusações contra mulheres menores de idade, entre elas a atriz Charlotte Lewis. Em Paris, uma retrospectiva de sua obra foi alvo de críticas por um grupo feminista.

Dustin Hoffman
O ator que tem hoje 80 anos é acusado de ter assediado sexualmente a escritora Anna Graham Hunter, então com 17 anos, no set do telefilme "A Morte de um Caixeiro-Viajante", em 1985. Ele teria falado de sexo para ela e a apalpado. Hoffman se desculpou e disse que aquilo não "reflete" quem ele é.

Brett Ratner
A atriz Natasha Henstridge diz ter sido forçada a fazer sexo oral no diretor de "A Hora do Rush" e "X-Men: O Confronto Final" nos anos 1990. Além dela, outras atrizes e modelos, como Olivia Munn e Jaime Ray Newman, também relatam casos semelhantes envolvendo ele. Rattner, 48, nega as acusações.

Ed Westwick
O ator conhecido por "Gossip Girl" foi acusado de estupro por Kristina Cohen e Aurélie Wynn. Ele nega. A polícia de Los Angeles abriu investigação sobre o primeiro caso. Com isso, a BBC suspendeu a exibição "Ordeal by Innocence". As gravações já iniciadas da segunda temporada de "White Gold", da Netflix, também foram suspensas.

John Lasseter
O diretor da Pixar e dos filmes "Toy Story" e "Vida de Inseto" decidiu tirar licença de seis meses após admitir erros ligados a condutas de assédio sexual. Colaboradoras reclamaram de um excesso "invasivo" de abraços e outras situações desconfortáveis

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