Artistas se manifestam politicamente na reta final das eleições presidenciais

Paulinho da Viola disse votar em Haddad e Paulo Bruscky fez 'chover liberdade' no Recife

João Perassolo
São Paulo

Artistas de diversas áreas e personalidades do meio cultural têm se manifestado politicamente nesta reta final das eleições presidenciais.

Na música, o vocalista da banda punk Ratos de Porão, João Gordo, disse "dispensar fãs burros" em uma postagem no Facebook, no sábado (27). Ele respondia a um seguidor do grupo que afirmava que votaria nulo. "Jogue nossos filmes fora e compre os filmes pornôs dele", disse o vocalista. Gordo se referia ao ex-ator pornô Alexandre Frota.

Também no sábado (27), o sambista Paulinho da Viola afirmou que votaria no candidato do PT, Fernando Haddad. "Não podemos abrir mão do sonho de um Brasil onde se respeitem mulheres, negros, gays, nordestinos e pobres", postou em sua página oficial no Facebook.

Na manhã deste domingo (28), dia do segundo turno das eleições, o tradutor e biógrafo de Clarice Lispector, o americano Benjamin Moser, postou em seu Instagram mensagem da ativista negra Maya Angelou. Moser afirma que Bolsonaro já "mostrou quem é", e pede aos brasileiros que votem em Fernando Haddad.

Vale lembrar que, na atual corrida eleitoral, as únicas editoras a terem se posicionado como pessoa jurídica  —e não através de seus diretores— foram a Ubu, de São Paulo, que assinou publicamente o manifesto "Por uma Frente Progressista do Tamanho do Brasil", e a Equador, também da capital paulista, através de uma série de imagens em seu Instagram. Em meados de outubro, o editor e presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, havia enviado a colaboradores uma carta com críticas ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

​Já o meio das artes visuais viu duas ações poderosas nos últimos dias. A Casa do Povo, em São Paulo, abriu na sexta (26) a mostra-manifesto "Rejuvenesça!". Com produção da artista Renata Lucas, reúne no espaço do Bom Retiro um conjunto de trabalhos de artistas contemporâneos de explícito caráter político.

Lucas instalou uma bandeira do Brasil cujo mastro atravessa dois andares inteiros do prédio; a bandeira em si fica no último andar, e é vista meio murcha, como que encolhida, e não flamulante. Há também uma série de fotografias inéditas de Mauro Restiffe chamada "Empossamento Revisitado", nas quais o  paulista clicou os arredores do Palácio do Planalto, em Brasília, no dia da posse do ex-presidente Lula, em 2002.

"A atual edição da Bienal de São Paulo, assim como diversas instituições e galerias de arte, procurou manter-se neutra diante da barbárie, comportando-se como se nada acontecesse à sua volta", escreve a artista na carta-manifesto que acompanha a mostra. Em entrevista para a Folha, afirmou: "A neutralidade é uma tomada de posição para essas forças perigosas que estão em jogo".

Na última quinta (25), o artista Paulo Bruscky, que havia sofrido agressão de motivação política em um bar do Recife, no final de setembro, realizou "ação poética" na cidade, em suas palavras. Em vídeo que circulou entre conhecidos e jornalistas, Bruscky é visto atirando ao vento folhetos com o poema "Liberdade", do escritor francês Paul Éluard.

"Minha ação poética é na esperança de que o povo brasileiro não deixe fechar as portas da democracia", diz Bruscky, no vídeo. Sua performance foi inspirada em gesto realizado em 1943 pelo pintor Cícero Dias. Naquele ano, Dias fez "chover liberdade", conforme Bruscky, nos ceus da França ocupada pelos nazistas. O pintor promoveu uma chuva de papéis em forma de panfletos com o mesmo poema.

Na sexta (26), a artista Regina Duarte, uma das poucas vozes do meio artístico a apoiar abertamente Jair Bolsonaro, afirmou que "a homofobia" do candidato "é da boca para fora", em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo informações do veículo, a atriz ganhou 300 mil seguidores em sua conta no Instagram após postar foto ao lado do capitão reformado.

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