Descrição de chapéu

Marin Alsop brilhará em seu ano final como regente titular da Osesp

Nos últimos oito anos, regeu quase todas as sinfonias de Mahler e fechará o ciclo com a Quarta e a grandiosa Oitava

Sidney Molina
São Paulo

A temporada 2019 da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), anunciada nesta segunda-feira (1°), será a última a ter a maestrina americana Marin Alsop como titular. 

Após a reestruturação que conduziu a orquestra à atual liderança nacional e projeção internacional, foram três os regentes titulares: John Neschling (1997-2008), Yan-Pascal Tortelier (2009-11) e Marin Alsop (2012-19). 

Marin Alsop durante concerto na Sala São Paulo - Alberto Rocha/Folhapress

Ao longo dos últimos oito anos Alsop regeu aqui quase todas as sinfonias de Gustav Mahler (1860-1911), e agora fechará o ciclo com a “Quarta” (março) e a grandiosa “Oitava” (julho). Também apresentará —ideia bastante interessante— a orquestração de Mahler para as quatro sinfonias de Schumann (abril/maio).

Ela irá, ademais, interagir com o barítono brasileiro Paulo Szot (artista em residência), com o chinês Huang Ruo (compositor visitante) e fará a “Nona” de Beethoven como parte do projeto internacional “All Together: a Global Ode to Joy” (Todos juntos: uma Ode Global à Alegria), iniciativa do Carnegie Hall, de Nova York.

Ao que se sabe, o anúncio oficial de quem sucederá Alsop deve ficar para o ano que vem, e o fato de ser uma escolha interna —descolada, portanto, de interferências das esferas governamentais— denota maturidade institucional. 

O maestro  Giancarlo Guerrero
O maestro Giancarlo Guerrero - Kurt Heinecke/Divulgação

Se considerarmos unicamente o desenho da temporada 2019, é possível dizer que o maestro costa-riquenho Giancarlo Guerrero larga na frente: é um colaborador muito frequente, e a ele estão destinados dois programas importantes, incluindo a estreia do concerto para cello de Marlos Nobre com solo de Antonio Meneses. 

Há tempos, aliás, a Osesp não promovia encomendas tão variadas: além do concerto de Nobre (que completa 80 anos em 2019), serão realizadas premières de obras de Felipe Lara, Flo Menezes, Januibe Tejera e Arrigo Barnabé.

Também regentes frequentes, Isaac Karabtchevsky e Neil Thomson comandarão séries de concertos gratuitos (como a Semana Camargo Guarnieri), e Nathalie Stutzmann fará a “Paixão Segundo São Mateus”, de Bach (abril).

A temporada mantém o nível dos anos anteriores, e a criatividade dos repertórios se manifesta tanto na variedade (imagine uma noite com “Blunine”, de Mahler, “Concerto para piano”, de Schoenberg ,“Rhapsody in Blue”, de Gershwin e “Sinfonia n.5” de Mendelssohn), como na escolha de uma obra única para preencher o programa (“Des Canyons aux Étoiles”, de Messiaen).

Cabe também destacar as homenagens ao centenério de nascimento do compositor amazonense Claudio Santoro (1919-89).
 

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