Descrição de chapéu Análise

Mérito da arquitetura da Casa Firjan é a fuga da reprodução dos cânones modernos

Projeto se aproxima de referências contemporâneas europeias

Francesco Perrotta-Bosch

Bons projetos de arquitetura não surgem por acaso. O processo é longo e, no Brasil atual, é mais comum dar errado do que certo. Na Casa Firjan, a versão fluminense da Fiesp, o desenvolvimento foi bem conduzido. Começou em 2012 com um concurso vencido pelos arquitetos Thorsten Nolte, Nanda Eskes, André Lompreta, morto em 2016, e Priscila Marinho —juntos compõem o escritório Atelier 77, com sede no Rio de Janeiro.

Foram anos de desenvolvimento do projeto, revisões que mantiveram a essência da concepção inicial, e uma execução bem digna até sua inauguração recente.

O terreno da nova instituição cultural carioca já tinha protagonista: o palacete Linneo de Paula Machado, definido por Lucio Costa no parecer de tombamento como "o derradeiro exemplar de mansão, com teor aristocrático, no eclético estilo francês beaux-arts, arquitetura que marcou o início do século carioca".

Forçosamente o novo edifício nasce da relação com o centenário (e agora restaurado) casarão do bairro de Botafogo e seu jardim igualmente afrancesado. A solução adotada pelos arquitetos foi a criação de uma praça intermediária, calibrando assim o distanciamento e a ambiência entre o novo e o antigo.

O contemporâneo edifício é, em si, um pórtico a reconfigurar o acesso a todo o lote. Thorsten Nolte define que "as conexões são a temática do projeto". Isso se verifica em corredores de dimensões mais amplas que o puro funcionalismo demandaria e com franca relação visual com a paisagem —no caso, o Corcovado. O circuito interno tem o ápice na praça elevada: um núcleo ao ar livre com piso, paredes e teto de intensa cor amarela.

Esse é o pátio de encontro dos alunos dos vários cursos ali promovidos pela Firjan. Há salas de aula, laboratórios de modelagem e prototipagem em máquinas de impressão 3D, estúdio de audiovisual, sala de exposições, midiateca e auditório de pé-direito duplo com 200 cadeiras. Tudo isso é envolvido por fachadas transparentes com painéis móveis de perfis verticais para proteção solar.

Um dos grandes méritos do projeto é a fuga da simples reprodução de cânones modernistas nacionais —ainda tão predominantes em nossa produção arquitetônica. Talvez influenciado pela origem alemã de Nolte e pela formação francesa de Eskes, o projeto se aproxima de referências contemporâneas europeias, como a materialidade dos holandeses do MVRDV e a espacialidade de Christian de Portzamparc. 

Casa Firjan

R. Guilhermina Guinle, 211, Rio de Janeiro. Ter. a sex., das 10h às 20h. R$ 10

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