Empresa de games cria banda feminina virtual inspirada no k-pop

Quarteto K/DA lança single durante disputa mundial do jogo League of Legends

Nathalia Durval
São Paulo

​Um dos principais responsáveis pelo crescimento dos eSports (esportes eletrônicos), o jogo League of Legends, que une estratégia de guerra e universo mágico, é hoje o mais popular entre os amantes de games e reúne cerca de 100 milhões de jogadores mensais ativos ao redor do mundo.

Desenvolvedora do jogo para computador lançado em 2009, a Riot Games tem investido em música para popularizá-lo ainda mais. Para além de trilhas e efeitos sonoros, a empresa americana cria bandas virtuais com os personagens do jogo, ao estilo dos Gorillaz, com músicos reais por trás dos avatares.

Neste ano, apostou no k-pop e criou o quarteto de pop feminino K/DA, com influências do gênero coreano. Para o projeto, foram convidadas duas integrantes do sexteto sul-coreano (G)I-DLE, a rapper Soyeon e a vocalista Miyeon, e as cantoras americanas Jaira Burns e Madison Beer. Elas representam as guerreiras virtuais Ahri, Akali, Kaisa e Evelyn.

 

Misturando ritmos como pop, eletrônica e hip-hop —típicos das produções de k-pop—, a banda estreou com a música “Pop/Stars”, que mescla trechos em inglês e em coreano.

O single foi lançado neste sábado (3), com uma performance ao vivo durante a disputa mundial em Incheon, na Coreia do Sul, e está disponível em plataformas digitais como YouTube, Spotify e Deezer.

“Pop é um gênero que estávamos esperando trabalhar há anos, e usamos muitas influências do k-pop, como a batida e o visual dos clipes”, diz Viranda Tantula, líder criativo de música da Riot.

“Queríamos tentar fazer algo único com a mistura das línguas inglesa e coreana. Mas não queríamos que isso parecesse uma música produzida em inglês com uma participação coreana ou vice-versa.”

“Pop/Stars” ganhou um clipe protagonizado pelas personagens fictícias, com direito a coreografia —outra característica emprestada do k-pop. As quatro artistas, que têm idades entre 19 e 21 anos, tiveram seus passos de dança e trejeitos copiados por meio da técnica digital de captura de movimento.

“É divertido assistir as quatro personagens atuarem como artistas reais”, disse a cantora coreana Miyeon à Folha. “Fiquei surpresa quando vi minhas expressões faciais e meus movimentos aplicados à personagem Ahri.”

Com apenas seis meses de carreira, o sexteto (G)I-DLE liderou as paradas coreanas com os singles “Latata” e “Hann (Alone)”, com os quais foram premiadas em programas musicais de TV e elevadas ao posto de "lançamento do ano" entre os girl groups novatos.

“Ao invés de assustador, foi divertido se apresentar no palco como um grupo pop virtual, e não como (G)I-DLE”, contou a rapper Soyeon. A dupla disse também que se dedicou a aprimorar a pronúncia em inglês para a canção.

Segundo a Riot, a iniciativa buscou aproximar as culturas ocidental e oriental, já que a Ásia é um dos maiores consumidores de LoL. Times da China, de Taiwan e da Coreia do Sul são destaques nos mundiais.

Em 2014, a empresa reuniu Tommy Lee (baterista do Mötley Crue), Danny Lohner (Nine Inch Nails), ZP Theart (ex-Dragonforce) e Noora Louhimo (Battle Beast), entre outros, para estrear o grupo de metal Pentakill, projeto mais bem-sucedido até então.

Com dois álbuns lançados, “Smite and Ignite” (2014) e “II: Grasp of the Ungying” (2017), e um repertório de 18 músicas, o Pentakill foi além do universo gamer. Alcançou o top 10 da Billboard na categoria hard rock e liderou as vendas no iTunes na época.

“Ao longo desses dez anos [do lançamento do jogo], a gente já experimentou muita coisa para contar a história de ‘League’’, do universo dos campeões e personagens. Já usamos animação, quadrinhos, documentário, arte, e a música sempre fez parte do nosso ecossistema”, diz Leandro Faria, diretor de Produto da Riot Games do Brasil.

Segundo Tantula, a ideia de formar uma banda virtual é algo novo no mercado de games. “Criar uma relação mais intrínseca entre os personagens do jogo e a música começou a ganhar forma em 2013 e surgiu quase como uma brincadeira”, lembra. “Os jogadores se engajaram, e a resposta foi muito positiva.” 

Assim como a Copa do Mundo ganha uma música-tema a cada quatro anos, a Riot cria seu próprio hino para a cerimônia de abertura dos campeonatos do eSport. Para esta 8ª edição, lançou “Rise”, gravada pelas bandas The Glitch Mob, Mako e The Word Alive. O clipe acumula 50 milhões de visualizações no YouTube.

A trilha ainda ganhou um remix do rapper sul-coreano Bobby, do grupo iKon. Outras edições tiveram a participação das bandas Imagine Dragons e Against the Current e do DJ russo-alemão Zedd.

O Brasil também ganhou uma canção própria. O rapper Emicida compôs “É Só um Joguinho” para a final do CBLol, a competição nacional do game, em setembro. O país é o sexto que mais joga League of Legends —30% desse público é feminino.

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