Fim da Lei Rouanet seria muito ruim para o Brasil, diz ministro da Cultura

'Duvido que havia outro programa com mais rigor e transparência', diz Sérgio Sá Leitão

Maria Luísa Barsanelli

Investir na cultura e na economia criativa brasileira é "bom senso" e um eventual fim da Lei Rouanet seria "muito ruim para a cultura brasileira", disse o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, nesta segunda (5).

“Acho que há no nosso país uma grande dificuldade não só do governo, mas também da sociedade, de perceber a força das atividades culturais e criativas, que muitas vezes são vistas como algo secundário ou festivo, sem que haja um reconhecimento social da importância do investimento público e privado nessa área”, disse o ministro.

O Ministro da cultura Sérgio Sá Leitão
O Ministro da cultura Sérgio Sá Leitão - Ricardo Borges/Folhapress

Na sequência, ele comentou o possível fim da Lei Rouanet no governo de Jair Bolsonaro.

“Espero sinceramente que isso não aconteça. Será muito ruim para a cultura brasileira. Mais de 53 mil projetos de todas as áreas da cultura aconteceram [via lei]. Os tais projetos de artistas consagrados correspondem a 1% disso, ou seja, é uma parte muito pequena do que a Lei Rouanet representa."

O ministro afirmou ainda que graças à lei, "mais de R$ 17 bilhões foram injetados na nossa economia criativa, contribuindo para a geração de renda, a geração de emprego e inclusive para aumento de arrecadação tributária. Duvido que havia outro programa com mais rigor e mais transparência que a Lei Rouanet. Todas as informações estão disponíveis via site.”

Segundo ele, o MicBR deve gerar grande retorno e, portanto, teria grande chance de continuar no próximo governo. “Eu tenho fé nas boas ideias, acho que aqui temos uma ótima ideia e a gente pode crescer e se mobilizar”, continuou o ministro, que não comentou sobre a provável fusão da pasta com outros ministérios e desconversou sobre uma possível participação sua no governo Bolsonaro. “Minha missão agora é tocar o Ministério da Cultura. Não vejo muito sentido falar nisso.”

Até domingo (11) em espaços culturais da avenida Paulista, o evento promove encontros entre artistas, produtores e empreendedores, nacionais e internacionais, com o intuito de expor uma vitrine da economia criativa brasileira. A proposta se espelha num programa anual argentino de internacionalização da produção cultural do país.

Realizado pelo Ministério da Cultura e pela Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o programa deve ter um retorno de até R$ 30 milhões, segundo estudo da FGV —foram investidos pelo governo R$ 4 milhões.

“No nosso país, não investir em cultura, nas atividades culturais e criativas é um desperdício. É um dos dez maiores setores da nossa economia, é mais importante hoje economicamente do que setores tradicionais, como a indústria têxtil, farmacêutica e de eletroeletrônicos, e tem potencial de crescimento vastíssimo”, afirmou ele, durante apresentação do MicBR (Mercado das Indústrias Criativas do Brasil).

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