Descrição de chapéu Crítica

Novo filme de Robin Hood exagera na dose de modernização

A lenda medieval do nobre inglês que roubava dos ricos para das aos pobres ganha outra adaptação

Alexandre Agabiti Fernandez
São Paulo

Robin Hood – A Origem

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Taron Egerton, Jamie Foxx, Eve Hewson
  • Produção EUA, 2018
  • Direção Otto Bathurst

A lenda medieval do nobre inglês que roubava dos ricos para das aos pobres já rendeu dúzias de adaptações. A nova versão —dirigida pelo estreante Otto Bathurst— quer se justificar sendo diferente a todo custo e faz tábula rasa dessa longa tradição. 

O problema é que põe tudo a perder ao exagerar na dose de “modernização”, que nada acrescenta à lenda.
Logo no início, Frei Tuck (Tim Minchin) —o narrador— anuncia essa intenção avisando que o espectador deve esquecer tudo o que sabe sobre a figura de Robin Hood e que nem mesmo ele, que participa das aventuras ao lado do herói, se lembra de quando aconteceram.

O jovem Robin de Locksley (Taron Egerton) vive sossegado em seu castelo nos arredores de Nottingham ao lado de Marian (Eve Hewson). Um belo dia é convocado a ir para a Arábia combater nas Cruzadas. Lá conhece o mouro Yahya (Jamie Foxx), um bravo guerreiro adversário que quase o mata. Entre ambos nasce um respeito mútuo.

Anos depois, Robin volta para casa e se depara com uma situação completamente diferente: seu castelo foi devastado, a cidade é governada por um xerife tirânico (Ben Mendelsohn) que cobra impostos cada vez mais altos da população miserável para custear as Cruzadas. Para completar, foi dado como morto e Marian se casou novamente.

Revoltado com a situação da cidade, Robin se une a Yahya e entra em ação. Na ilha, Yahya passa a se chamar Little John —personagem da lenda original, que nada tinha de muçulmano— e adquire enorme protagonismo, pois se torna o mentor de Robin.

Aprimora a destreza deste no manejo do arco e o prepara para a ação. John também se revela um estrategista ao incitar Robin a se aproximar do xerife para posteriormente atacá-lo com mais contundência. É o personagem mais distante da lenda, objeto de mudanças gratuitas, que não oferecem uma nova perspectiva.

Em relação aos roubos aos poderosos, as investidas são poucas e o butim é escasso. Mas tudo é apresentado com pompa e euforia. 

As longas cenas de ação são filmadas de acordo com os clichês do gênero, com movimentos de câmera velozes e inúmeros planos curtos, sugerindo combates intensos. Esse frenesi previsível é intercalado com passagens em câmera lenta, especialmente quando Robin dispara suas flechas.

Os cenários e os figurinos são tão fantasiosos que confundem o espectador. Nottingham parece uma opressiva cidade fortificada fora do tempo, mais próxima de uma história em quadrinhos delirante do que propriamente uma cidade medieval. A floresta de Sherwood praticamente desaparece. 

Quanto a Hood, sai duplamente perdendo em relação à história clássica. Ganha contornos de super-herói —coisa que o banaliza— e perde protagonismo ao depender muito de Yahya/Little John.

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