Descrição de chapéu

'Tudo Acaba em Festa' é um típico filme estilo pipoca (sem sal)

Com roteiro frágil e cheio de clichês, comédia debocha de festas de fim de ano no mundo corporativo

Marina Galeano
São Paulo

Tudo Acaba em Festa

  • Classificação 12 anos
  • Elenco Marcos Veras, Rosanne Mulholland, Giovanna Lancellotti e Nelson Freitas
  • Direção André Pellenz

Fim de ano se aproxima e, com ele, chegam também as esperadas (ou não) confraternizações empresariais. Aproveitando o gancho, “Tudo Acaba em Festa” estreia com a proposta de fazer comédia a partir desse controverso evento do mundo corporativo.

Diretor de outras duas produções do gênero --“Minha Mãe É uma Peça” (2013) e “Gosto Se Discute” (2017)— André Pellenz apresenta um filme assumidamente despretensioso, que se vale de piadas e situações óbvias para criar uma atmosfera cômica.

Mas, no geral, a história carece de inspiração e de originalidade e, em certos momentos, parece apelar ao nonsense como último recurso. A estratégia não surte muito efeito; o riso é esporádico.

Vlad (Marcos Vera) integra o time de recursos humanos de uma empresa de cosméticos. Baladeiro de plantão, o marmanjo ainda mora na casa dos pais e foge das responsabilidades. Por isso, está sempre atrasado, não vê problemas em tirar um cochilo em pleno expediente e vive adiando tarefas.

Mesmo assim, ele consegue conquistar Aline (Rosanne Mulholland), a nova secretária da Embelex. Em tempo recorde, o roteiro dá conta de apresentar, desgastar e terminar o romance dos colegas de trabalho, na intenção de justificar as iminentes motivações do protagonista.

 
 
 'Tudo Acaba em Festa'
Rosanne Muholland e Marcos Veras em 'Tudo Acaba em Festa' - Divulgação

Para provar sua competência à ex-namorada e melhorar a imagem da empresa junto aos funcionários, Vlad se incumbe da missão de organizar a festa de fim de ano da firma, com a ajuda de uma estagiária completamente sem noção (Giovanna Lancellotti).

Aos trancos e barrancos, depois de inúmeros obstáculos, a dupla, enfim, realiza a tal confraternização —o ápice do longa-metragem e das cenas estapafúrdias, que incluem a invasão de ativistas ambientais fantasiados de pinguins e uma aparição especial do festeiro Amaury Jr.

Do início até o grand finale, um roteiro frágil sublinha os maiores estereótipos do universo corporativo na tentativa de soar engraçado. Pessoal do telemarketing só fala no gerúndio; galera da T.I. é nerd e aficionada por quadrinhos; pesquisadores do laboratório agem e se vestem como cientistas doidões.

Cabe, então, ao elenco amenizar os tropeços da narrativa. Carismático, Veras garante um humor comedido que não sai do tom. A entrada de Priscilla (Lancellotti) com seu sotaque exagerado de Santa Rosa do “Viterrrrbo” traz frescor à trama. Destaque também para Maria Clara Gueiros, numa participação curta e divertida como chefona do RH.

Sob qualquer ponto de vista, esse é um típico filme estilo pipoca (no caso, sem sal): descompromissado, zero ambicioso e superficial. Entretenimento de digestão rápida. Bastam alguns minutos após a sessão para esquecer que (e de) “Tudo Acaba em Festa”. 

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