Coleção resgata os conflitos e a introspecção da filmografia de John Ford

O 23º volume, com 'O Delator', chega às bancas no domingo (30)

Cena do filme 'O delator', de John Ford - Divulgação
Cristiane Martins
São Paulo

Desonestidade, pobreza e a linha tênue entre o bem e o mal são os temas de "O Delator", clássico de John Ford de 1935. O longa é apresentado no 23º volume da Coleção Folha Grandes Diretores no Cinema, que chega às bancas no próximo domingo (30).

O cineasta americano reencontra suas origens familiares ao abordar a revolução irlandesa --momento em que a Irlanda enfrentava uma guerra civil entre católicos e protestantes na década de 1920. O longa rendeu seu primeiro Oscar como diretor, além de três outras estatuetas: roteiro, ator e trilha sonora.

Em "O Delator", o desempregado Gypo (Victor McLaglen) denuncia seu amigo Frank (Wallace Ford), um perseguido político ao governo britânico, em troca de dinheiro e de uma nova vida com a namorada Katie (Margot Grahame). As consequências ganham contornos trágicos.

Ford dizia que preferia produzir faroestes, porque assim se mantinha longe dos executivos de Hollywwod. Uma de suas estratégias para driblar interferências no corte final das obras era filmar apenas o necessário, deixando pouca margem para mudanças.

Embora suas raízes sejam irlandesas, nem um outro diretor retratou tão bem as narrativas do Oeste e do mito americano. Ford realizou 135 filmes, entre dramas sociais, cinebiografias e obras de guerra. Sua filmografia é carregada de conflitos e de introspecção, ligada ao silêncio e à solidão das terras áridas do faroeste.

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