Descrição de chapéu Crítica Cinema

Filme com Kéfera investe contra o bullying, mas peca em originalidade

'Eu Sou Mais Eu' se preocupa mais em passar mensagem de autoafirmação do que com cinema

Marina Galeano

Eu Sou Mais Eu

  • Classificação 12 anos
  • Elenco Kéfera Buchmann, João Côrtes e Giovanna Lancellotti
  • Produção Brasil, 2018
  • Direção Pedro Amorim

Kéfera foi uma criança gordinha. Na escola, colegas chutavam sua lancheira do segundo andar para que ela não comesse. João Côrtes também não teve uma infância tranquila. Apelidado de “fósforo”, ele se lembra de quando arrastavam a sua cabeça no chão por causa do cabelo ruivo.

Já na casa dos 20 e poucos anos, os dois atores revisitam os fantasmas do passado na comédia adolescente “Eu Sou Mais Eu”, de Pedro Amorim, que fala sobre bullying e da autoaceitação.

Mesmo investindo em uma causa nobre, o filme peca na originalidade. A trama pega emprestado diversos elementos de outras produções do gênero e não consegue oferecer algo novo ao público. O resultado traz à memória pérolas como “De Repente 30” (2004), “Nunca Fui Beijada” (1999) e até “Meus 15 Anos” (2017), 
longa com Larissa Manoela.

Na história, uma cantora arrogante de sucesso, Camilla Mendes (Kéfera), desdenha de todos ao seu redor —seguidores, familiares, amigos, empresária, namorado. Ninguém escapa das patadas da popstar solitária.

A explicação desse rancor está num vídeo do passado, no qual a protagonista é massacrada por alunos durante um festival de música no colégio.

Para seu próprio horror, ela terá de reviver os traumas da adolescência ao se deparar com uma fã doidona que a leva de volta a 2004 —ano bem caracterizado pelo figurino, o finado Orkut, o celular azulzinho da Nokia e, principalmente, a trilha sonora.

É quando a mulher sexy e confiante se transforma mais uma vez na menina descabelada e desajeitada do passado, quanto era alvo de bullying ao lado do amigo Cabeça (Côrtes). Para voltar ao presente glamouroso, a jovem vai precisar resgatar a sua essência em uma jornada que abraça clichês e contradições.

Em sua quarta empreitada no cinema, Kéfera já se mostra à vontade na tela, embora as duas versões de Camilla beirem a caricatura. Os outros personagens carecem de complexidade, porém, ajudam a compor o embate entre agressores e vítimas. Os ataques de Drica (Giovanna Lancellotti) são constrangedores; o sofrimento de Cabeça convence e desperta empatia.

Sem muita relevância em termos cinematográficos, “Eu Sou Mais Eu” se serve da popularidade e das experiências reais de uma das youtubers mais influentes do Brasil para dar visibilidade a um tema cascudo e transmitir uma mensagem sobre autoafirmação. 

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