Grafite gigante terá interação com público em São Paulo

Pintado por recordista mundial, mural é um presente para o aniversário da capital paulista

O mural da artista Luna Buschinelli

O mural da artista Luna Buschinelli Bruna Arcangelo/Divulgação

Isabella Menon
São Paulo

Enquanto subia num balancim elétrico para alcançar os 70 metros de altura do mural em um prédio na rua Peixoto Gomide, em São Paulo, Luna Buschinelli  admitia ter medo de altura. 

Aos 21 anos, a muralista prepara a pintura que poderá ser vista do vão do Masp e que é um presente para a capital, já que será entregue na próxima sexta (25), dia em que a cidade completa 465 anos. 

Buschinelli, que entrou para o Guinness em 2017 por uma obra que ocupou 2.500 m² de uma escola municipal no Rio e que se tornou o maior grafite do mundo feito por uma mulher, prepara agora algo mais enxuto. Com cerca de 2 mil m², a nova arte está dividida em dois edifícios. 

Segundo a artista, seu colorido desenho surgiu de uma história criada por ela e se passa em um mundo distópico cyberpunk —gênero da ficção científica que discute a relação entre a alta tecnologia com a baixa qualidade de vida. 

A partir do Masp será possível ver o desenho de uma cidade precarizada sobreposta pela imagem de uma robô. Para a artista, o ponto de visada, “lugar de referência para protestos de São Paulo”, dá mais sentido à interpretação.

“Não quero ser vista como menininha”, afirma. Por isso, costuma usar figuras femininas como personagens fortes.

O mural oferece ainda interação com inteligência artificial. Com o celular, pessoas podem fazer perguntas aleatórias a respeito do trabalho de Luna  e serem respondidas —sem precisar baixar nada no aparelho. A previsão é que o mecanismo fique pronto até o fim do primeiro semestre. A cantora Elza Soares foi convidada para dar voz às respostas. 

Todo o trabalho é fruto do recém-nascido Arte UM (Urbana e Mundial), coletivo de arte de rua cujo objetivo é mudar a cara da cidade e transformá-la na “capital mundial da arte urbana”. A ideia partiu da parceria do produtor Kleber Pagú e do gestor cultural Willian Alexandrino. 

Segundo a dupla, São Paulo é reconhecida como a capital mundial do grafite e chama a atenção de turistas e celebridades, como a atriz Jessica Chastain, que, quando veio ao Brasil para a Comic Con, postou fotos em suas redes sociais no Beco do Batman —local na Vila Madalena famoso por seus grafites. 

Para eles, isso é um ótimo sinal. Mas, o desejo é de ir além. “Ser reconhecido só pelo grafite é efêmero e não queremos apenas isso”, diz Pagú, que pretende impulsionar artistas na cidade com desenhos “permanentes e legalizados”.

O grupo prevê outro mural para dezembro de 2019. Chamado “Aquário Urbano”, o projeto ocupará 7 mil m² dispostos em quatro quarteirões de prédios na República, formando um desenho em 360º.

Assinado por Felipe Young, conhecido como Flip, a obra poderá ser vista com óculos de realidade virtual, que serão disponibilizados no local, e também online.
 

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